segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

12 Angry Men (Doze Homens e uma Sentença) - Por Luiz Domingues


Sendo um profissional com origem na televisão, Sidney Lumet não poderia ter tido um debut melhor no cinema, quando lançou "12 Angry Men",em 1957.
 

Tratando-se mesmo de uma adaptação de um teleplay, Lumet conseguiu transpor para a tela grande com maestria, um espetacular thriller psicológico e claustrofóbico, onde 12 jurados se reúnem numa sala reservada de um tribunal de justiça, para decidir sobre a absolvição ou culpa de um réu, acusado de assassinato.
A ação se passa o tempo todo dentro dessa sala e a divergência de opiniões e sobretudo as motivações entre os jurados dão a dramaticidade para o filme.
 
Investindo em diálogos absolutamente bem engendrados e um time de atores espetacular, Lumet fez um filme que surpreende exatamente por ter o efeito contrário que se pudesse supor que teria.
Sim, pois o que se espera de um filme centrado numa ação claustrofóbica de uma sala de jurados, onde 12 homens vão decidir um veredicto ? Naturalmente, um filme entediante, arrastado, que tende a não deixar o espectador focado, não é ?
 

Ao contrário, o filme é eletrizante do começo ao final, com os diálogos mordazes e a exploração de cada personagem entre os jurados, em suas nuances psicológicas.
 

E aí brilha o roteiro, a condução magistral de Sidney Lumet e também a dramaticidade imposta pelo elenco de atores.
Sem a intenção de contar o filme em minúcias, digo apenas que a história é centrada no momento em que os jurados se reúnem na sala reservada para decidir o veredicto de um réu acusado de assassinato.
 

As provas são muito contundentes contra o réu e o promotor praticamente deixou clara a culpa dele.
 

Dessa forma, alguns jurados mal entram na sala e já declaram sua decisão pessoal. Alguns com ética, pensando na melhor resolução da justiça, outros por pura mesquinharia, pois querem se livrar disso e voltar para a casa a tempo de não perder o futebol na TV.
 

Naquele instante inicial a determinação era de culpa, sem dúvida. Numa primeira avaliação, a contagem pró condenação deu 11 a 1.
Mas esse sujeito que votou contra, semeou uma dúvida, e para desespero dos afoitos, prorrogou a decisão final.
 

Momentos tensos seguem-se e um a um vai mudando de opinião diante da argumentação do homem do voto contra.
 
Henry Fonda, um ator considerado fleumático em Hollywood, interpretou esse homem que semeou a dúvida entre os jurados. Não poderia ter sido uma escolha mais sábia de Lumet.
 

Ed Begley; Jack Warden; Lee J.Cobb; Martin Balsam; Jack Klugman; E.G. Marshall; John Fiedler; Edward Binns; Joseph Sweeney; George Voskovek; e Robert Webber, são os demais jurados.

E a cena final é emblemática: saindo do fórum, amanhecendo após uma madrugada de tensa batalha verbal, cada jurado sai para um lado, sem falar um com o outro, revelando destinos diferentes após estarem juntos numa difícil decisão a ser tomada coletivamente.

Texto publicado no tópico "12 Angry Men", aberto por eu mesmo, na comunidade "Sidney Lumet" da extinta social Orkut, em 2010.

4 comentários:

  1. Excelente texto e filme Luiz,parabéns!

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    1. Obrigado pela leitura e elogio, Kim ! De fato é um filmaço !

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  2. Bom Luiz, muito bom. Comente as Vinhas da Ira, também com Henry Ford. Muito bom!

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    1. Muito grato pela atenção e elogio, Juma ! Sua sugestão é excelente. Gosto muito de Vinhas da Ira. Aguarde uma análise desse outro grande filme do mestre John Ford.

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