segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Almost Famous, Paixão pelo Rock - Parte 1 - Por Luiz Domingues


Cameron Crowe nasceu em 1957 e quando tinha 15 anos de idade, estava arrebatado pelo Rock. 

Com um talento nato de jornalista e ótimo texto, passou a escrever resenhas de shows e lançamentos de discos para o jornal San Diego Union. Não demorou muito e estava sendo sondado pela Revista Rolling Stone, uma das maiores especializadas em música na América.

Daí, deslanchou fazendo resenhas espetaculares das maiores bandas americanas e britânicas da década de setenta, acompanhando turnês, assistindo shows e estabelecendo amizade com diversos Rock Stars.
Tanto que acabou se casando com Nancy Wilson, vocalista e guitarrista do Heart, em 1986, e se divorciando em 2010.

Mas o Rock não era sua única paixão e paralelo à carreira de crítico especializado, escrevia roteiros para cinema. 


Dessa maneira, de um roteiro seu, foi produzida a comédia "Picardias Estudantis" (Fast Times at Ridgemont High), em 1982.

Colaborando com outros projetos, foi se embrenhando no mundo do cinema e não demorou a se tornar diretor e iniciar sua carreira.

E assim, vieram seus primeiros trabalhos, "Say Anything" (Diga o que quiserem); "Singles" (Vida de Solteiro); este ambientado em Seattle na época do Grunge, e tendo o Pearl Jam verdadeiro como banda fictícia, onde o personagem de Matt Dillon fazia um Rocker, e "Jerry Maguire" (Jerry Maguire, a grande virada), onde começou sua parceria com Tom Cruise.

Mas foi em 2000, que ele resolveu contar sua própria história, como crítico de Rock precoce, aproveitando para acrescentar diversas passagens que grandes artistas haviam lhe contado em entrevistas. E dessa colcha de retalhos recheada de histórias deliciosas do Rock setentista, nasceu "Almost Famous" (Quase famosos).
O personagem William Miller (Patrick Fugit), é a representação do jovem Cameron.

Precoce, escreve artigos e resenhas para o jornal local e conhece o crítico Lester Bangs, mito do jornalismo-Rock americano.

Ele se afeiçoa ao garoto e lhe dá diversas dicas. Melhorando ainda mais sua escrita, recebe o convite inusitado do editor da Rolling Stone para acompanhar a turnê de uma banda emergente, chamada "Stillwater".


Então, faz o primeiro contato com a banda durante um concerto deles em 1973, abrindo para o Black Sabbath, numa arena lotada.
O contato de bastidores o enlouquece ainda mais, principalmente quando conhece a groupie, "Penny Lane"(Kate Hudson). 

O filme segue com a banda inicialmente não acreditando ser aquele garoto imberbe, um jornalista da revista Rolling Stone, mas finalmente aceito, passa a viajar com a banda, observando e anotando tudo.
Aí começa a grande viagem do espectador ao universo do Rock setentista, e entre passagens hilárias, outras dramáticas, viaja junto da banda "Stillwater", vendo seus sonhos; alegrias;brigas; decepções e fraquezas, sendo desveladas enquanto trabalham para chegar ao estrelato. 

À medida que a turnê segue, o jovem jornalista se vê envolto aos seus conflitos pessoais também.

Sua mãe o deixou ir sob protesto e o atormenta com telefonemas e recados contrangedores (Elaine Miller, interpretada por Frances McDormand.

O Editor da Rolling Stone não o conhece pessoalmente, e não sabe que ele é apenas um adolescente.

Nessa altura, William está apaixonado pela groupie Penny Lane, que percebe, mas ela por sua vez está se engraçando com o guitarrista do Stillwater, Russell Hammond (Billy Crudup). 

Para quem conhece a história do Rock sessenta-setentista, as referências são tantas que caberiam numa matéria a parte.

Portanto, convido-os a lerem a segunda parte desta matéria sobre Almost Famous, onde falo exclusivamente dessas particularidades.

Encerrando, digo que o filme teve uma direção de arte brilhante. Quem viveu o Rock dos anos setenta, vai assistir o filme com lágrimas nos olhos, e quem nasceu depois, vai sonhar.
 
A reconstituição de época é incrível. A base dos diálogos e pesquisa, perfeitas, pois era o métier real do jovem Camerom Crowe, portanto, suas memórias pessoais.
Na trilha sonora, vários clássicos do Rock, mais a música composta pela entãoesposa de Cameron, Nancy Wilson, e Peter Frampton, um dos melhores amigos de Cameron e que foi assessor dos atores que representaram os músicos da banda Stillwater, nas partes musicais e de comportamento.

Ele pessoalmente deu aulas de guitarra para o ator Billy Crudup.

As cenas de shows do Stillwater são curtas, mas muito emocionantes. Cameron quis centrar o filme nos bastidores e não nas performances musicais em si.

Um filme brilhante, retratando a magia do Rock setentista, e que eu recomendo ver, e rever.

Matéria publicada inicialmente no Blog do Juma, em 2011.

4 comentários:

  1. Meu grande brother Luiz, mais uma vez você escreveu com propriedade naquilo que fala.Já assisti a esse filme.Também recomendo.

    ResponderExcluir
  2. Muito legal, Valdi ! Esse é um filme que não só recomendo como acho importante assistir pelo menos duas vezes, tamanha a quantidade de detalhes importantes a serem observados.

    ResponderExcluir
  3. Incrível filme e trilha sonora,excelente texto amigo! :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sem dúvida, Kim. O filme é muito emocionante, justamente por ser autobiográfico do próprio diretor, que foi um gênio adolescente como crítico de Rock de uma importante revista, como a Rolling Stone. E suas lembranças Rockers são as mais bonitas , da Era de Ouro do Rock !

      Obrigado pela atenção, amigo !

      Excluir