sexta-feira, 8 de junho de 2012

Airheads, Abaixo o Jabá : - Por Luiz Domingues


Vencer no mundo artístico, seja lá qual for a área, é sempre muito difícil. Talento, carisma e expressão não garantem ao aspirante a artista, que ele vá chegar lá, naturalmente.
E como se não bastassem as dificuldades habituais dessa caminhada, existem também as barreiras mafiosas, o poder oculto, as maracutaias.

E dentro desse campo de possibilidades maléficas a serem vencidas, existe a infame instituição do Jabaculê, popular "Jabá", uma espécie de propina que faz com que um artista tenha suas músicas executadas nas rádios, e lhe garante exibições na TV, matérias em importantes jornais e revistas, e a inevitável colocação de sua música na trilha de uma novela de TV, onde por pelo menos seis meses, sua canção estará na boca do povo que a associará à um casal de personagens que brigarão em todos os capítulos do Folhetim, para no último, casarem-se e serem felizes para sempre.
Portanto, diante dessa barreira quase intransponível, não há aspirante a artista que não sonhe fazer o que os personagens do filme "Airheads" ("Os Cabeças de Vento", em português), fizeram.

A história gira em torno da banda de Rock, "The Lone Rangers", um trio formado por Chazz Darby (Brendan Fraser); Rex (Steve Buscemi), e Pip (Adam Sandler).

Tocando em espeluncas de Los Angeles durante os anos noventa, não passam de mais uma banda pesada e sem nenhum diferencial naquela cena, que lhes ofereça uma oportunidade.

Então, percebem que uma estação de rádio deu chance à uma banda do mesmo patamar deles, chamada "The Sons of Thunder", e resolvem levar sua demo tape, buscando a mesma execução.
Mas nem conseguem entrar na rádio e dessa forma, forjam a entrada, invadindo-a, sumariamente.

Colocam a fita na máquina e o som começa a ser transmitido, mas ela se emperra e se destrói, arruinando a única chance de divulgação que tinham.

O pessoal da rádio os expulsa, mas munidos de armas de brinquedo, os membros da banda simulam uma dominação e assim, começa o imbróglio.
Uma série de confissões cômicas sucedem-se, com a polícia cercando o prédio e uma negociação inicia-se para que libertem os reféns e entreguem-se.

Mas eles não são bandidos, apenas querem que o som da sua banda seja divulgado e daí, precisam que a ex-namorada de Chazz leve a outra cópia, tornando-se assim uma exigência negociada com a polícia.
Nesse ínterim, uma conversa é interceptada e os funcionários da rádio descobrem que a estação iria mudar o seu perfil, e seriam todos os despedidos. Com essa revelação, solidarizam-se com os músicos, dificultando a resolução do falso sequestro.

Nesta altura, a conversa toda já havia se tornado pública, sendo transmitida ao vivo e milhares de pessoas se aglomeravam nas cercanias do prédio, exigindo que a banda não fosse presa e tivesse sua chance artística.
Por fim, um empresário astuto que logo percebeu a publicidade gratuita em torno da banda, oferendo-lhes contrato de gravação.
Claro, mesmo sendo uma comédia escrachada, trata-se dos Estados Unidos da América, e sem chance de ter "jeitinho", os caras vão presos pelo delito, mas o grand finale é um show de Rock na prisão, com a banda mesmo detida, se apresentando e comemorando a venda de milhões de discos.

Fantasia e comédia mezzo pastelão.

Mas diga aí, você leitor que é músico e tem uma banda autoral, sonhando em fazer sucesso : quando assiste "Airheads", não solidariza-se com a banda ?
Quem  em sã consciência não gostaria de extirpar o jabá da face da Terra ? Respondo : só os que recebem-no...

Direção de Michael Lehmann e participações de atores como Joe Matagne; Michael McKean (Spinal Tap); Chris Farney; David Arquette, e Amy Locane, entre outros. 


A trilha gira em torno de bandas pesadas de Los Angeles nos anos noventa e o baixista britânico Lemmy Killmister do "Motorhead", faz uma ponta divertida também, além de Robbie Zombie, da banda "White Zombie" (e que acumula há algum tempo a atividade de diretor de cinema, especializado em terror, e se trata de um fã declarado de José Mojica Marins, o nosso Zé do Caixão).

Filme leve, boa diversão e com esse fundinho de verdade ao mostrar a dura realidade dos bastidores mafiosos do mundo das artes, principalmente na música, onde quem não tem dinheiro, não alcança o estrelato, não importando seu talento pessoal, tampouco a qualidade de sua música.


Matéria publicada inicialmente no Blog do Juma, em 2012.

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