quinta-feira, 7 de junho de 2012

La Bamba - Por Luiz Domingues

No dia 3 de fevereiro de 1959, um duro golpe tratou de criar o divisor de águas que praticamente encerrou os anos dourados do Rock'n Roll dos anos cinquenta.

Em excursão conjunta, três astros cinquentistas, Buddy Holly, Ritchie Valens e Big Bopper se apresentaram na noite do dia 2 de fevereiro, na cidade de Clear Lake, Iowa. Tendo que seguir viagem de ônibus em meio à uma nevasca, foram poupados pelo produtor que os colocou num avião fretado enquanto os músicos de apoio e equipe técnica seguiam de ônibus.
Por volta de 1:05 h da manhã, voando às cegas em meio à neve, o avião se chocou contra um milharal e como passou a se afirmar popularmente, foi o dia em que o Rock morreu.

Em 1987, foi lançado o filme "La Bamba", cinebiografia do astro anglo-hispânico Ritchie Valens, contando sua curta trajetória na música, interrompida brutalmente por esse acidente aéreo.


No filme, Ritchie Valens é interpretado pelo ator Lou Diamond Phillips, um ator versátil que acostumou-se desde o início de sua carreira a compor personagens de diferentes etnias, se encaixando bem como um tipo hispânico.

O filme segue basicamente a trajetória real de vida de Ritchie Valens (na verdade, chamado Ricardo Esteban Valenzuela Reyes) e seu início no mundo da música, envolvido com a música mexicana folclórica num primeiro instante e com um certo interesse pelo Jazz.

O Rock só entrou na vida de Ritchie bem depois, por volta de 1957. No ano seguinte, emplacou o seu primeiro sucesso, uma balada chamada "Donna", nome da moça pela qual se apaixonara.
Essa canção é imortal e embala corações apaixonados até hoje na América e principalmente para as mocinhas que se chamam "Donna", um nome muito comum naquela cultura.
Mas o grande estouro veio com "La Bamba" , uma música do folclore mexicano que ele adaptou à um formato de Rock, principalmente no Riff que se casou bem ao timbre de sua guitarra Fender Stratocaster.

Regravada por "Los Lobos", reforçou o sucesso, tornando-se um hit mundial em 1958.
E o irônico, era que ele apesar de ser filho de mexicanos, não falava bem o idioma e para cantar alguns versos em espanhol, teve que se esforçar para aprimorar a pronúncia.

O filme carrega na ideia do menino pobre que venceu na vida e não pôde usufruir de seu sucesso. Claro que foi a verdade, mas para efeito cinematográfico, deu uma exagerada na dose de açúcar.
Um fato curioso ocorreu durante as filmagens: A família de Ritchie Valens foi no set de filmagens e entrou num processo de profunda comoção.

Alegando que o ator Lou Diamond Phillips estava tão incrivelmente parecido com Ritchie, contagiaram a todos no set com seu choro copioso. O diretor Luis Valdez percebendo essa comoção, ao invés de ficar bravo e interromper tal manifestação sentimental, usou dessa artimanha a seu favor e dessa forma, Lou Diamond Phillips foi incentivado a interpretar sob essa forte emoção, potencializando a sua performance.
Claro, o final é triste, pois em 3 de fevereiro de 1959, o Rock morreu três vezes.

Apesar disso, trata-se de um bom filme, dando uma fidedigna visão da vida, obra e morte de Ritchie Valens e claro, com sua ótima música.
Matéria publicada inicialmente no Blog do Juma, em 2012

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