quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Mobilidade Urbana - Por Luiz Domingues

Muito se tem falado sobre o estrangulamento do trânsito nas megacidades, mas a verdade é que esse problema já se espalha também por cidades de menor porte.

A falta de investimentos maciços em transporte público, por parte dos governantes, aliado aos interesses da indústria automobilística, sem dúvida que são fatores que impulsionam esse colapso.


Em diversas outras matérias que escrevi, abordando nuances dessa problemática, sempre deixei cravada a opinião de que uma ação isolada não resolve um nó dessa magnitude.

O investimento maciço no metrô, parece ser a medida número um nessa equação, mas como já salientei, não é a única.


O apoio de uma integração com os trens de subúrbio, é necessário e não descarto a existência dos aerotrens, fazendo interligações inteligentes interbairros.

Nada disso basta, pois não podemos abrir mão dos ônibus tradicionais e para tanto, a experiência da abertura de corredores exclusivos, com a possibilidade de tais veículos andarem mais rapidamente, é fundamental.


Nesse quesito, a prefeitura de São Paulo tem agido corretamente em forjar tal prática, ainda que tenha gerado alguns transtornos inevitáveis no processo de implantação. Numa cidade gigantesca como São Paulo, parece inevitável que qualquer medida que se tome, pode desagradar um grupo de pessoas, mas não tenho dúvida que corredor exclusivo, é imprescindível.

A experiência de cidades como Bogotá, na Colômbia e a Cidade do México, capital do país asteca, tem que ser usada como exemplo, onde os corredores tem centenas de KMs, em apoio ao Metrô.


Sobre a questão das ciclovias, também já falei bastante e tem muito ciclista que não entende certas colocações de minha parte. Já deixei muito bem explicado, mas reitero : Acho que o incentivo à prática do ciclismo urbano, tem que ser total por parte do poder público, desde que se criem ciclovias seguras e muito bem sinalizadas.

Mas deixo a ressalva de que os ciclistas precisam urgentemente conhecer a regulamentação que lhes cabe dentro do Código Brasileiro de Trânsito. Não respeitar os sinais básicos de trânsito, como o semáforo; indicação de faixa de segurança para pedestres e circular sobre calçadas, é abominável como conduta de civilidade, cidadania e respeito ao próximo.


Outra questão que defendo com ênfase, é o incentivo ao uso dos táxis. Se a tarifa do táxi fosse mais convidativa, quantos carros particulares não sairiam das ruas ?

Em conversa com taxistas amigos, sei que a reivindicação deles por melhores condições de trabalho, passa além da redução do preço dos combustíveis para a categoria, e dos impostos na hora da aquisição do carro novo. Para poder abaixar a tarifa, defendem um programa de auxílio manutenção.


Convenhamos, o desgaste de um táxi vai muito além do carro particular de passeio e não acho absurda a reivindicação deles, pelo contrário.

O governo que mais se preocupa em arrecadar com a obrigação da inspeção veicular, poderia bem usar essa estrutura montada para arrancar dinheiro extra dos proprietários de veículos (é bem sabido que o IPVA já deveria garantir essa inspeção, não é mesmo ?), dando suporte mecânico mais em conta para os taxistas.

Outra medida que poderia funcionar, é a da proibição sumária de tráfico de veículos particulares por ruas do centro da cidade, com a volta dos bondes urbanos.


Se os bondes nunca deixaram de funcionar, e pelo contrário, são funcionais e charmosos em cidades europeias, não vejo por que não poderiam voltar a operar em percursos de pequeno porte e desafogando assim as entupidas ruas do centro, de cidades como Rio e São Paulo, só para citar duas que estão caóticas pelo acúmulo de carros nas ruas.

A verdade é uma só : Se o transporte público fosse abundante e de qualidade, muita gente deixaria o carro particular na garagem e só o usaria para passeio no final de semana.


Se não o fazem, é porque querem evitar o sufoco de serem espremidos como sardinhas dentro da lata.

Se conseguem sentar-se decentemente, com limpeza e iluminação adequada, sinalização e sobretudo com abundância de opções e tudo sem esperas descomunais, as pessoas perderiam o receio de usar o transporte público.


Mas aí...a indústria automobilística não iria gostar muito de vender menos carros, e como um efeito dominó, ameaçariam demitir funcionários das montadoras. O governo corre para socorrer a indústria e não vai querer queda da taxa de empregos e consumo. Políticos não vão gostar de ter corte de verbas para suas campanhas eleitorais...

É como a velha propaganda daquele biscoito/bolacha : "Vende mais porque é mais fresquinho, ou é mais fresquinho justamente por vender mais" ?


Publicado inicialmente no Blog Planet Polêmica, em 2013

4 comentários:

  1. Essa é uma questão muito séria e de difícil solução.
    Aqui no Rio não é diferente. O BRT foi uma promessa de desafogar o trânsito, e com isso retiraram das ruas muitas linhas vitais pra quem mora em bairros de condução escassa, pra dar vez as linhas alimentadoras do BRT, que circulam precariamente após às 22:00h. Eu inclusive participei de abaixo-assinado pela volta de uma determinada linha que prejudicou muito os moradores da baixada de Jacarepaguá. Em suma: o trânsito continua caótico. Quem tem carro, não deixou de usá-lo por causa dessa nova alternativa de transporte. Os BRTS andam LOTADOS! Com a limitação de algumas linhas de ônibus a prova a sardinha é uma realidade do cotidiano....enfim, é foda, é irritante, dá nos nervos. E se chover é que a situação se agrava, porque o Rio não tem infraestrutura pra chuvas fortes...é tragédia anunciada.
    PQP!¬¬

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    1. Ana, antes de mais nada, o meu agradecimento por ter lido e comentado a matéria.

      Isso que contou no seu comentário, muito me desanima. Faz tempo que não vou ao Rio, mas acompanhei com bastante entusiasmo a criação do BRT, enxergando nessa obra, uma grande solução para desafogar o trânsito na cidade.

      Com seu relato, estou desanimado. Parece que a obra deixa a desejar e pior, em alguns aspectos trouxe transtornos, conforme explicou, graças aos cancelamentos de linhas tradicionais que supriam alguns bairros de Jacarepaguá.

      Esse Paes não toma jeito mesmo, hein ?

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  2. O BRT é um meio e transporte mais rápido, porém, isso não trouxe o benefício esperado. Quem tem carro, continuou usando o seu carro, e o BRT atende mais a camada mais humilde da população, que é imensa. E o BRT ainda não está em pleno funcionamento. Nem todas as estações estão funcionando ainda. Mas sinceramente, eu esperava mais, pois com tantas obras que criaram uma situação caótica e insuportável durante um longo tempo, era pelo menos pra ter um funcionamento eficiente.
    Eu nem vou dizer que cada povo tem o governo que merece porque no panorama político, se você não vota no merda, acaba votando no cocô ou no bosta.
    Olha os excrementos de candidatos que temos aqui:
    http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/eleicoes/2014/noticia/2014/08/veja-entrevistas-do-rjtv-com-os-candidatos-ao-governo-do-rj.html

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    1. Um dos problemas é esse : inaugurar sem a obra estar 100% pronta, e o motivo óbvio deve ter sido a Copa. Outro problema é o planejamento mal feito, criando um inferno para as pessoas humildes em termos de desapropriações e o inevitável pagamento muito abaixo do valor justo pelos imóveis, valendo-se de brechas jurídicas amorais e assim se valendo do valor venal dos mesmos. Vidas são destruídas, com famílias que lutaram com muito sacrifício para ter sua casa própria,geralmente pagando financiamentos muito longos e sofridos.

      O Metrô sendo construído a passo de tartaruga é uma vergonha. Não é falta de dinheiro, tampouco tecnologia, mas simplesmente o rabo preso dos políticos com a indústria automobilística que quer vender carros a todo custo e nenhuma campanha publicitária é mais eficaz do que a realidade de um transporte público caótico...

      Estou vendo as entrevistas do RJTV. Lastimável o nível dos candidatos. Crivella e Garotinho tentaram justificar fatos irrefutáveis.

      Mas em São Paulo é rigorosamente igual. Estamos à mercê de verdadeiros energúmenos.

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