sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Kim Kehl & Os Kurandeiros - 1°/2/2015 - Domingo /17:00 Horas - Gambalaia - Santo André /SP

Kim Kehl & Os Kurandeiros

1° de fevereiro de 2015

Domingo  - 17:00 Horas

Gambalaia
(Espaço de Artes & Convivência)

Rua das Monções, 1018

Bairro Jardim

Santo André - SP

Banda de abertura : O Livro Ata

KK & K :

Kim Kehl - Guitarra e Voz
Carlinhos Machado - Bateria e Voz

Luiz Domingues - Baixo

sábado, 24 de janeiro de 2015

Mazzaropi, de Jeca não tinha nada - Por Luiz Domingues


Preconceito elitista geralmente esconde algo em suas entranhas, pior que a arrogância explícita de sua manifestação pura e simples.

Infelizmente, denota em muitos casos, uma certa dose de inveja, pelo objeto de seu desprezo ter um reconhecimento popular que dificilmente alcançará.

Claro que não é uma regra, mas muitas vezes a crítica de arte usa desse expediente não recomendável, para denegrir certas manifestações artísticas que julga “menores”, e o fato de algumas delas serem sucesso de público, potencializam opiniões desdenhosas, e que em alguns aspectos são injustas, porque nem tudo o que é popular, é popularesco.

Um caso singular de um artista bastante questionado por setores intelectualizados da crítica, é o de Amácio Mazzaropi.

Como ator, produtor e diretor de cinema, sua obra foi / é, do agrado popular, mas provoca o desdém de alguns críticos.

Amácio nasceu na capital de São Paulo, no ano de 1912, mas mudou-se com a família para o interior do estado, precisamente na cidade de Taubaté, ainda na tenra infância.

Frequentou muito a fazenda de seu avô materno, no município vizinho de Tremembé, e certamente que o ambiente de uma propriedade rural o influenciou culturalmente.

Na vida escolar, gostava de participar de atividades de cunho artístico, e destacava-se como declamador em saraus de poesia, além de gostar de cantar, também.

Não demorou muito e descobriu o circo, e convenhamos, tal manifestação tradicional de arte mambembe, tinha muita força no interior, e numa fase onde não havia TV; rádio, e o cinema engatinhava, era realmente um acontecimento que movimentava as pequenas cidades, principalmente.

Claro, quando comunicou aos familiares que estava com intenção de ser um artista circence, teve oposição ferrenha, mas absolutamente esperada por conta da mentalidade da época...

Tenaz, seguiu atrás do seu sonho e foi parar no Circo La Paz, não necessariamente fazendo o palhaço tradicional e caracterizado (Clown), mas divertindo a platéia com anedotas, e contando “causos”.

Nos anos trinta, formou sua trupe de teatro e passou a excursionar. Atuando como ator, mas também rapidamente se tornando um produtor, foi ganhando a experiência que lhe seria vital na sua carreira futuramente, quando finalmente foi parar no cinema.

Antes porém, teve uma importante experiência radiofônica, onde obteve grande sucesso com o programa “Rancho Alegre”, de onde tirou uma boa base para a sua cinematografia posterior, além de levá-lo para a TV, também.

Convidado por Abílio Pereira de Almeida e Franco Zampari, mentores da Cia. Cinematográfica Vera Cruz, tornou-se ator contratado desse estúdio, e ali sim, iniciou a sua trajetória de fama em nível nacional.

Sua estreia em “Sai da Frente”, de 1952, foi um estouro de bilheteria e dali em diante, faria mais alguns filmes importantes nessa Cia.

Esse primeiro filme dele na Vera Cruz, é uma das comédias nonsense mais sensacionais da história do cinema brasileiro, e já colocou a Vera Cruz e Amácio Mazzaropi, como grandes concorrentes da Atlântida e sua dupla genial, Oscarito & Grande Otelo.


“Nadando em Dinheiro” também é um filme muito interessante, e ainda ambientado na urbanidade de São Paulo. Lembra muito o humor leve e refinado do diretor Ernest Lubitsch.

“Candinho”, de 1953, é particularmente, o meu predileto dessa fase dele na Vera Cruz.

Baseado num conto de Voltaire (“Candido”, ou “O Otimismo”), foi adaptado à realidade brasileira, e pela primeira vez a personagem por ele vivida, era a de um homem interiorano e muito ingênuo, que tendo que interagir na cidade grande de São Paulo, se envolve em confusões, conflitos, e com sua simplicidade prosaica, acaba se dando bem.

Pungente e com momentos brilhantes até, trata-se de um filme memorável da Vera Cruz, com muitos méritos não só pela adaptação bacana de um conto de um autor clássico estrangeiro para a realidade brasileira, mas por ter em Mazzaropi, uma interpretação muito marcante; boa trilha sonora e presença de um bom elenco, inclusive destacando o lendário sambista Adoniran Barbosa, revelando-se um comediante nato, no alto de seu famoso bordão pessoal : “Não faz mal, não tem importância...”

Com a lastimável derrocada da Vera Cruz, Mazzaropi seguiu em frente, filmando em outras produtoras de menor porte, quando finalmente sentiu que com sua fama crescente, e com a experiência de produção que tinha, precisava mesmo era ser independente e criar sua própria companhia, e assim, nasceu a “PAM” (Produções Amácio Mazzaropi).

O primeiro filme de sua produtora particular, foi “Chofer de Praça”, mais ou menos repetindo a fórmula de comédias urbanas anteriores que fizera, como em “Sai da Frente; “O Gato de Madame”, e “Nadando em Dinheiro”.

Mas foi em 1959, que voltou a fazer o caipira prosaico, e não podia ser mais propício e direto ao interpretar “Jeca Tatu”, personagem clássico criado por Monteiro Lobato.

Foi um estouro de bilheteria, e dali em diante, sua imagem ficou intrinsecamente ligada à personagem, e salvo mudanças bissextas, o caipira-mor permeou sua produção cinematográfica até o final, mesmo que não necessariamente o “Jeca Tatu” fosse oficialmente retratado em todas as películas, mas convenhamos, para o grande público, o caipira em questão era sempre o Jeca...

Esperto, Amácio sempre ficou de antena ligada aos acontecimentos do cotidiano, e os roteiros de seus filmes foram se amalgamando às situações de momento.

Nesses termos, quando o “Spaghetti Western” tornou-se a bola da vez no cinema internacional, nos anos sessenta, lá estava Mazzaropi lançando “Uma Pistola para Djeca”; ou quando o assunto da vez era a telenovela “Beto Rockfeller”, Amácio foi de “Betão Ronca Ferro”...

Um outro filão que buscou, foi o de enfocar histórias homenageando colônias estrangeiras aqui radicadas, casos de “Portugal, Minha Saudade”, e “Meu Japão Brasileiro”.

No tempo em que ganhar na “Loteria Esportiva” era o grande sonho de todo brasileiro, Amácio foi de “Um Fofoqueiro no Céu”.

Com motivações religiosas ou até sobrenaturais, levou seu caipira para produções como : “Jeca Contra o Capeta”; “Jeca e a Égua Milagrosa”, e “Jeca Macumbeiro”.


Dois filmes chamam a atenção pela ousadia, além do entretenimento, que era a sua real intenção : em “Jeca e seu Filho Preto”, Mazzaropi tocou num assunto que era tabu na sociedade da época.

Por décadas, o Brasil viveu a mentira que aqui não havia racismo, e curiosamente, Mazzaropi foi um dos poucos artistas que enfocou o problema de peito aberto, mesmo sendo popular e desprezado pelos intelectuais.

E outro caso, foi o de “A Banda das Velhas Virgens”, considerado um clássico de sua filmografia, e que já foi inclusive, mote para tese de mestrado.

Choque de gerações também foi tema para ele filmar. “O Puritano da Rua Augusta” é um exemplo nesse sentido. Desta feita na ambientação urbana de São Paulo, como sugere o título, Mazzaropi faz um patriarca retrógrado, tentando impor limites aos seus filhos jovens e seus amigos, a quem chama de “Playboyzada”...hilário !

Corintiano fanático na vida real, produziu uma comédia explorando essa paixão do futebol ("O Corintiano"), onde ele faz um torcedor fanático do Corinthians, que vive às turras com seu vizinho italiano, e obviamente palmeirense.

Com cenas reais de estádio, é bacana também por esse quesito, mostrando o Pacaembu da época (1965), onde nostalgicamente a rivalidade era forte, mas não fazia de adversários, inimigos de uma batalha campal...portanto, o filme tem esse adendo interessante como documento histórico, pelas externas.

Com a carreira consolidada, Amácio Mazzaropi chegou num ponto de sua carreira onde praticamente criou um público cativo, e semelhante a Roberto Carlos, na música, ou seja, independente da crítica e das mudanças comportamentais e estéticas da sociedade, todo ano lançava seu produto, com a garantia de retorno financeiro, numa rotina perpétua e sem sustos.

Com essa segurança financeira, manteve seu estúdio sempre bem equipado, e chegou a construir um hotel na sua fazenda/estúdio, para hospedar elenco de atores e equipe técnica, minimizando custos de produção, e ao mesmo tempo, oferecendo conforto para todo mundo trabalhar sossegado.

Só parou mesmo de trabalhar quando foi vencido pela doença e “partiu para o lado de lá”.

Amácio Mazzaropi fez circo, rádio, TV e foi sem dúvida no cinema que fez sua fama maior, e deixou seu legado artístico.

Seu cinema era popular ao extremo, e mesmo dando uma escorregada aqui e ali na pieguice inerente que o caráter prosaico sempre traz no seu bojo, enxergo muitos méritos na sua obra, muitos mesmo.

A crítica mais intelectualizada o despreza, e eu entendo, mas discordo dessa visão, por acreditar que exista uma carga de preconceito sobre ele, e sua obra.


Seu estúdio hoje em dia é um museu, com visitação aberta ao público. Sem dúvida é uma atração turística bacana para a cidade de Taubaté, no interior de São Paulo   
Sua filmografia está toda disponibilizada em DVD, seus filmes passam constantemente em canais de vocação cultural da TV a cabo, e na TV Cultura de SP (que nunca o abandonou, é verdade).

Existem diversas publicações sobre sua vida e obra, e um site oficial mantido por sua família, que é um excelente museu virtual, cuja visita eu recomendo :

http://www.museumazzaropi.org.br/o-museu/



Se o caipira clássico que ele tanto retratou nos seus filmes, era um sujeito prosaico, ingênuo e passível de ser enganado por qualquer malandro de rua, na vida real, Amácio Mazzaropi foi mais que um artista inspirado, mas como produtor cultural, foi muitíssimo esperto, sabendo explorar ao máximo o seu produto.

Matéria publicada inicialmente no Site / Blog Orra Meu, em 2014

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Kim Kehl & Os Kurandeiros - 24/1/2015 - Sábado / 21 H. - Santa Sede Rock Bar - Santana / São Paulo / SP

Kim Kehl & Os Kurandeiros

24 de janeiro de 2015

Sábado  -  21:00 Horas

Santa Sede Rock Bar

Avenida Luiz Dumont Villares, 2104

Santana

Estação Parada Inglesa do Metrô

São Paulo - SP

KK & K : 

Kim Kehl - Guitarra e Voz
Carlinhos Machado - Bateria e Voz
Luiz Domingues - Baixo

sábado, 17 de janeiro de 2015

Nutopia, onde todos somos livres !! - Por Luiz Domingues



A primeira fase da carreira dos Beatles, foi marcada pela explosão da Beatlemania, e certamente que é muito efusiva, embora numa análise fria, não possa ser considerada revolucionária pela música; conteúdo das letras, tampouco arranjos musicais inovadores ou performance instrumental e vocal deslumbrante.


Calma, leitor, pois com isso não estou afirmando que não gosto dos álbuns iniciais, e da fase dos terninhos e cabelos considerados longos para os padrões da época, mas bem curtos pelo que veio depois no cenário do Rock.



Pelo contrário, gosto bastante desses álbuns iniciais, contendo Rock’n Roll in natura; doses maciças de R’n’B; Soul music; baladas; pop bubblegum, e que tais.
Mas inegavelmente, foi a partir da segunda fase da banda, no pós-1966 que a excelência musical tornou os Beatles, a mais revolucionária banda do mundo, justificando o posto que já tinha alcançado como a mais famosa e considerando que a fama nem sempre é argumento irrefutável de qualidade artística.



Nessa metamorfose criativa que alcançaram após o lançamento dos álbuns Rubber Soul e Revolver, a loucura ganhou carta branca nos estúdios Abbey Road e sabiamente, o produtor George Martin abriu sua mente e embarcou junto nesse conceito de experimentação artística total, dando vazão para que a banda lançasse seus melhores álbuns doravante, fazendo e entrando na história.


Dentro desse contexto, John Lennon mergulhou de cabeça no processo criativo total e mais que isso, tomou consciência de seu poder influenciador como ídolo de alcance mundial.
Influenciado por Yoko Ono, uma artista plástica avantgarde, e pouco interessada na efemeridade da fama pop, Lennon deu vazão ao seu lado sociopolítico e tornou-se um ativista, metendo a bronca no trombone, e usando sua fama para defender a causa da paz; pelo fim das guerras; da exploração e da fome no mundo.


Sua voz nos Beatles já enveredara para esse caminho do ativismo antistablishment, mas foi na carreira solo que deu uma “voadora” no peito da caretice do mundo, dominado pelos interesses escusos, da mesquinharia e da truculência da geopolítica bélica, a favor de corporações e massacrando as pessoas, visando o dinheiro, pura e simplesmente.
Claro que comprou uma briga e tanto com os poderosos de plantão. Tornou-se o inimigo público número 1 dos Estados Unidos, incomodando pelo simples fato de pregar a paz e criticar a estupidez da Guerra do Vietnã.



O governo Nixon não mediu esforços para deportá-lo, usando todo o tipo de esforço jurídico para negar-lhe o Green Card, que lhe garantiria a residência naquele país, usando como argumento um fichamento ocorrido na Inglaterra por posse de maconha, ainda nos anos sessenta.
Não sou apologista das drogas, contudo, contesto veementemente um julgamento moral pífio dessa natureza, no sentido de que consumir marijuana era execrável no padrão de moralidade dessa gente, mas jogar bombas Napalm sobre crianças e idosos indefesos, “tudo bem”...enfim...


O FBI e a CIA o grampearam e o perseguiram de todas as formas. Claro que outras agências internacionais coalizadas com o serviço secreto americano ficaram de olho nele, também.


Destemidamente, seguiu em frente, lançando seus álbuns solo, plenos de canções com forte teor de militância.


A canção “Imagine”, por exemplo, soa piegas para alguns, mas tem em seus versos, uma aula de supraconsciência.
Um mundo sem fronteiras, sem diferenciações, onde todos são iguais, aponta para uma sociedade livre do egoísmo e das mesquinharias materialistas.


Mas o ideal hippie da fraternidade total entre os homens incomodava/incomoda as corporações. Para essas pessoas que só pensam no dinheiro, e pouco se lixam para o estrago que causam por conta de sua sanha, Lennon e seus sonhos de fraternidade e paz, tornou-se um empecilho.
Ridicularizá-lo teria sido um caminho, mas ídolo mundial que era, certamente que uma campanha, ainda que velada, poderia surtir efeito contrário, martirizando-o e assim os marketeiros do mal evitaram tal procedimento, pelo menos num primeiro instante.


Foi quando Lennon teve uma sacada genial, e para ironizar o imbróglio que o governo americano havia criado para negar-lhe o Green Card, e ter assim elementos para expulsá-lo dos Estados Unidos, anunciou um manifesto, criando um país fictício chamado : “Nutopia”.


Esse neologismo por ele criado, era a junção das palavras “New” (novo/nova), com “Utopia”.
Esse estado era assumidamente fictício em termos territoriais, mas se apresentava como um estado supostamente oficial, pleiteando reconhecimento internacional e nesses termos, seriam considerados cidadãos de “Nutopia” , todas as pessoas que compactuassem com seus ideais de liberdade, paz e fraternidade total.


Bastando estar de acordo com tais preceitos, qualquer pessoa poderia ser considerada uma cidadã de “Nutopia” , e mais que isso, “embaixador(a)” daquele país.


Seguindo esse raciocínio, Lennon apelou para o governo americano, a “imunidade diplomática”, num ato de rebeldia e tapa de luva de pelica aos que o perseguiam.
Lançado o manifesto em 1° de abril de 1973, para ironizar o dia da mentira, tinha em seu texto original os seguintes dizeres :


We announce the birth of a conceptual country, NUTOPIA. Citizenship of the country can be obtained by declaration of your awareness of NUTOPIA. NUTOPIA has no land, no boundaries, no passports, only people. NUTOPIA has no laws other than cosmic. All people of NUTOPIA are ambassadors of the country. As two ambassadors of NUTOPIA, we ask for diplomatic immunity and recognition in the United Nations of our country and its people”.

Na tradução livre :


“Nós anunciamos o surgimento de um país conceitual, chamado Nutopia. A cidadania deste país pode ser obtida pela declaração de sua consciência (quanto à existência) de Nutopia. Nutopia não possui território, não tem fronteiras, não emite passaportes; possui apenas gente. Nutopia não dispõe de nenhuma lei além das leis cósmicas. Todas as pessoas de Nutopia são embaixadoras do país. Na condição de embaixadores de Nutopia, nós pedimos imunidade diplomática e reconhecimento, pela ONU, de nosso país e de seu povo”.


Eis o vídeo da declaração de Nutopia, disponível no You Tube :



Outro vídeo explicando os propósitos desse país fictício :

O estandarte de Nutopia, era/é uma bandeira inteiramente branca, e sua simbologia dispensa maiores explicações, acredito.


Mas “Nutopia” foi além da provocação e ironia fina...

A visão do país sem fronteiras, onde as pessoas eram aceitas pela afinidade com os ideais fraternais, revelava por trás de um simples statement de efeito artístico/estético/mercadológico, algo muito mais profundo.
A supraconsciência por trás dessa suposta utopia, era/é uma realidade de ordem muito avançada.


Acima de qualquer conspurcação torpe, perpetrada pela pequenez de detratores incautos, supraconsciência responde à parâmetros de cosmoética.
Um mundo sem mesquinharias, é sobretudo um triunfo do homem sobre o seu próprio Ego.


Lennon nos deixou em 1980, assassinado por um psicopata. Perdemos muito com a falta de sua inteligência milhas acima da média, e sua determinação de sonhar com um mundo melhor, mas sobretudo por nos incentivar a embarcar nesse sonho, também.
Os detratores adoram usar a expressão “O sonho acabou”, extraída da música “God”(de 1970, contida no álbum “Plastic Ono Band”), e fora de contexto, para ironizar o fim do sonho Hippie. Mas não vejo graça alguma numa colocação desse tipo, no sentido de que só perdemos com essa inversão de valores, pois sem sonho, não andamos para a frente e viver no pesadelo dos escombros niilistas, não nos leva à parte alguma, além da desolação.


Yoko Ono mantém os ideais do casal vivos em ações midiáticas, mas sem a mesma força que teriam se Lennon estivesse conosco, fisicamente até hoje.
Uma dessas ações pró-Paz, é a de manter um site onde em alguns segundos, é possível se cadastrar e se tornar um cidadão de Nutopia, adquirindo o status de embaixador desse país dos sonhos.


Eu, Luiz Domingues, sou um embaixador de Nutopia, e acredito num mundo fraternal, sem guerras e sem egoísmo.
Se você quiser se tornar um cidadão desse belo país, acesse o link :



Matéria publicada inicialmente na Revista Gatos & Alfaces, em 2014.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Kim Kehl & Os Kurandeiros - 17/1/2015 - Sábado / 21 h. - Casa Amarela - Osasco / SP

Kim Kehl & Os Kurandeiros

17 de janeiro de 2015

Sábado  -  21:00 Horas

Casa Amarela

Rua Mário Menin, 90

Centro

Osasco  -  SP

KK & K :

Kim Kehl - Guitarra e Voz
Carlinhos Machado - Bateria e Voz
Nelson Ferraresso - Teclados
Luiz Domingues - Baixo


sábado, 10 de janeiro de 2015

Nossos Melhores Cérebros...a Serviço dos Outros - Por Luiz Domingues

A expressão “Brain Drain”, criada pelos americanos, reflete e explica muito de sua grandeza como potência, ou melhor, maior potência do Planeta.




O que faz com que um país, seja considerado do seleto rol do “Primeiro Mundo” ?
São muitos os indicadores, naturalmente. Os óbvios (economia & lastro; instituições fortes; poderio bélico; organização social; tecnologia; educação; setores produtivos etc), e também os mais sutis, que ficam na retaguarda de toda a sociedade, caso dos ditos “melhores cérebros”, ou trocando em miúdos, profissionais altamente gabaritados sob o ponto de vista intelectual e consequentemente, com o melhor nível de capacitação, prontos, portanto para dar o melhor de si para a cadeia produtiva pública ou privada.



Essa é uma das chaves para o sucesso de uma nação e o óbvio investimento em educação de máxima qualidade é um caminho para chegar nesse ponto.
Mas o outro lado, o “Dark Side” (não o do Pink Floyd, que mediante um prisma vira multifacetado), mas um dispositivo bastante comum e aceitável dentro dos parâmetros do megacapitalismo : Não basta formar grandes cérebros, mas cooptar os cérebros brilhantes alheios, também.



Não acho isso um demérito, que fique claro. Quem reúne as melhores condições, tem mais é que contratar os melhores profissionais.
Quando éramos crianças, escolhíamos nossos times de futebol nas aulas de educação física, mediante o sorteio de par e ímpar, e a cada escolha do adversário, escolhíamos o próximo jogador para o nosso time, baseado no critério evidente de buscarmos a melhor qualificação possível, reforçando nosso time com os melhores jogadores. 



Nesse caso, o padrão de equilíbrio, era o sorteio promovido pelo professor, evitando que um time ficasse absurdamente mais forte que o outro, fazendo com que o jogo perdesse o poder de disputa, e abrindo caminho para o estímulo ao Bullying, por outro lado.
Mas na vida comum, esse fator de equilíbrio não existe e na selva de pedra, vence o instinto de sobrevivência.



Nessa linha de raciocínio, não enxergo como antiética a postura de atrair os melhores cérebros do planeta para reforçar os quadros da pesquisa tecnológica de ponta, e com tal contingente de gênios trabalhando em equipe, não há como uma nação não impor-se no cenário mundial, com postura de liderança.
O grande dilema para os países mais debilitados é criar mecanismos para que seus melhores cérebros fiquem e trabalhem em seus respectivos países.


Falando especificamente do Brasil, é histórica a relação de descaso com a educação, ao longo da história.



É importante ter em mente que os grandes cérebros a serem trabalhados, começam na tenra infância, e não apenas na graduação final nas universidades.
A base, na cadeia educacional, começa pela pré-escola, com uma capacitação excelente no desenvolvimento cognitivo das crianças, desde o berço, mentalidade que é comum num país de alto grau de desenvolvimento, como o Japão, por exemplo.



O ensino fundamental tem que receber uma profunda reformulação pedagógica, passando pela reformulação da didática; conteúdo; estímulo à capacidade criativa e reflexiva das crianças e adolescentes etc.
Nas universidades, o estreitamento da relação entre elas, instituições de ensino, com a sociedade, tem que ser total.



De forma tímida, existe tal conexão, via associações de indústria e comércio, como Fiesp e Fierj, por exemplo, mas isso deveria ser multiplicado à décima potência.



O governo precisa dar mais ouvidos aos Think Tanks, buscando essa inteligência sociológica e logística, na condução de sua política estratégica.
Já temos ótimos exemplos de polos de tecnologia de ponta, em que gente brilhante vem trabalhando e agregando, caso de cidades como Recife e Campinas, mas num país das dimensões e potencialidades do Brasil, isso precisa se multiplicar de forma epidêmica, espalhando-se por todos os quadrantes, do Oiapoque ao Chuí, literalmente.



Formar, capacitar e estimular os melhores cérebros a ficar no país e usar sua capacidade dentro de nossa economia e não a serviço de nações estrangeiras, se faz mister.
E tudo começa e acaba na grande chave do desenvolvimento de uma nação : Educação.



O restante, vem por dedução óbvia, com indústria; comércio e agricultura de ponta; instituições fortes; economia sólida; democracia inabalável e blindada contra radicalismos atrasados, sejam de extrema direita ou esquerda; investimento maciço em cultura; ações concretas de cidadania, ecologia e sustentabilidade; forças armadas bem equipadas, com o máximo de inteligência tecnológica e motivadas para trabalhar pela nação e jamais serem usadas para manobras políticas golpistas perpetradas por radicais infiltrados em suas fileiras; reforma fiscal, política, do código criminal;  etc etc.
Essa é a cartilha que impulsionou a grandeza das nações de primeiro mundo, e antes que me chamem de ingênuo, pois é óbvio que existe também o “Dark Side”(aí sim, o lado obscuro, mesmo), com corporativismos; intervenções invasivas na autonomia dos países pobres via belicismo; reserva de mercado; sanções econômicas e pressão política de toda sorte e geralmente antiética, é fato que tudo isso foi gerado graças aos cérebros privilegiados.




Um exemplo clássico, se deu no término da Segunda Guerra Mundial, quando os melhores quadros da inteligência que servia ao nazismo, foram convidados a trabalhar para os americanos, vide Van Braun e outros tantos.



Cérebro privilegiado move o mundo para frente, portanto, o desafio é não deixar que nossos melhores saiam, para trabalhar a favor dos outros.
Matéria publicada inicialmente no Blog Planet Polêmica, em 2014.