terça-feira, 24 de novembro de 2015

Som Livre Exportação - Por Luiz Domingues



Quando a Rede Globo começou a despontar como líder de audiência, aproveitando-se dos primeiros sinais de decadência da Record, e com a estagnação da Tupi (apesar do seu  retumbante sucesso recente, como havia obtido com a telenovela revolucionária, Beto Rockfeller), foi sem dúvida com a crescente ascensão de seu núcleo de dramaturgia, que isso se deu.


Claro que devemos considerar os fatores extra-operacionais que levaram a Globo à liderança (ditadura, Time Life, incêndios estranhos nas emissoras concorrentes...), mas pensando só no fator artístico, foi com as novelas que a Globo começou a sobressair-se, e dentro desse conceito, o filão das trilhas sonoras exclusivas para tal veículo, lhe despertou a atenção.


Já citei Beto Rockfeller anteriormente, mas cabe relembrar que o fato dessa telenovela da Tupi, ter usado o conceito da trilha sonora exclusiva, com músicas escolhidas a dedo para a trilha sonora, e com a repetição de certas canções para marcar personagens, só reforçou isso para a Globo.
Com essa ideia na cabeça, em 1969, a Globo lançou sua gravadora própria, chamada “Som Livre”, com o intuito inicial de lançar discos com a trilha de suas novelas.


Esse passou a ser um filão e tanto no mercado fonográfico, certamente.


No ano de 1970, a Som Livre já estava consolidada no mercado fonográfico com o lançamento de seus discos de trilhas de novelas, mas expandia-se, e assim, passou a contratar artistas de carreira, também.


Em 1971, num movimento contrário, usou então a TV para se autopromover, indo no caminho inverso do qual fora concebida, com a criação de um programa chamado “Som Livre Exportação”.  
A ideia era fugir do formato antigo dos festivais, que pareciam estar esgotados (embora a própria Globo ainda insistisse com o FIC, seu festival, até 1972 e em 1975, arriscou-se no “Abertura”), e dessa forma, o “Som Livre Exportação” se colocava como uma mostra de vários artistas, sem a caretice da competição.


Outro ponto interessante, era o de ser eclético ao extremo.
Sem fechar com um ou outro estilo musical, pelo contrário, o “Som Livre Exportação” reunia artistas aparentemente díspares entre si, num caldeirão multifacetado, onde o Rock; a MPB, e a Soul Music “brasuca”, muito em alta naquele instante, fossem representados, sem nenhum conflito entre si.
A vinheta de abertura do programa Som Livre Exportação

Eis o Link para escutar no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=nOC_QAF9iqQ

O programa durou entre novembro de 1970, e agosto de 1971.


Outra ideia sensacional foi também a de realizá-lo ao vivo, e de maneira itinerante, dando-lhe uma aura de “tour”, o que gerou uma grande expectativa do público, sem dúvida.
Segundo consta na divulgação oficial da Globo, havia uma segunda intenção da gravadora / emissora, em vender o pacote para o exterior, levando o seu cast aonde fosse possível, mas no frigir dos ovos, esse ambicioso plano acabou não ocorrendo, com a produção ficando restrita ao cenário brasileiro, apenas.


Independente disso, foi um estouro, com lotação esgotada, por onde passou, e audiência maciça na transmissão da TV.
A primeira edição ao vivo, ocorreu em São Paulo, no Palácio de Exposições do Anhembi, em março de 1971.


Os registros oficiais marcaram 100 mil pessoas presentes no evento.

Sei que o pavilhão de exposições comporta uma multidão de porte de estádio, mas apesar de realmente ter lotado, creio o número “100 mil” é um pouco além da realidade, superestimado, portanto.


Contudo, certamente que foi um número alto, gerando euforia para os produtores.
A seguir, foi realizado no campo do “Canto do Rio”, em Niterói; e no mesmo mês, em Brasília, aproveitando a ocasião em que a Globo inaugurava a Globo Brasília.


Voltando a São Paulo, novas edições ao vivo ocorreram no Clube Sírio-Libanês, e outra no Tuca, o Teatro da Universidade Católica, PUC.
Numa viagem à Minas, visitou Ouro Preto, e Belo Horizonte.

Elis Regina e Ivan Lins o apresentavam, e claro que participavam ativamente cantando e tocando, também.
Elis Regina e Ivan Lins lançam "Madalena" no Som Livre Exportação

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=rFl07aE-UTI

Foi ali, inclusive, onde o hit “Madalena”, de Ivan, e interpretado pela Elis, estourou, potencializado também pelo fato de estar na trilha sonora de uma novela da época (“A Próxima Atração”), portanto fazendo valer o propósito inicial da Som Livre, em divulgar seus discos de novelas.


Além de Elis e Ivan, se apresentaram também no “Som Livre Exportação”: Gonzaguinha; Aldir Blanc; Chico Buarque de Hollanda; Clementina de Jesus; Tim Maia; Toquinho & Vinicius; Tony Tornado, Brasucas e na ala Rocker, A Bolha; O Terço e Os Mutantes.
A concepção de enquadramentos era mais ampla do que a usual na TV da época, certamente bebendo da fonte dos documentários de Rock, pois explorava closes dos artistas em expressões faciais mais detalhadas, e da performance dos instrumentistas, mesclando-se com a expressão das pessoas da audiência, mostrando reações espontâneas.
Mutantes executam "Ando Meio Desligado" no Som Livre Exportação

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=xJgj9zgJZA8

Claro, como veículo de propaganda da gravadora, muitos discos foram lançados com tal mote e o que dizer de um grupo de artistas desse quilate e suas canções antológicas registradas em coletâneas dessa qualidade. Hoje em dia, esses LP's valem ouro nos sebos e/ou sites de colecionadores de vinis. 
Ficou na grade da Globo, às quintas, às 20:30 h e não dá para não deixar de comparar que se entre 1970 e 1971, nesse horário, o cidadão comum ligava a TV de sua sala de estar e dava de cara com música dessa qualidade, o panorama da atualidade na mesma emissora é bem outro, infelizmente...
A Bolha executa "Mater Matéria" no Som Livre Exportação

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=KfgaZvp6SRA

Tenho uma boa lembrança pessoal dessa atração, da qual assisti todas as suas edições, e nessa ocasião, com 10 para 11 anos de idade, já estava bastante interessado em música, e portanto, curti muito.
A última edição do programa foi um especial enfocando a velha guarda da MPB, com Ciro Monteiro; Mário Lago; Cartola, e membros da Escola de Samba Mangueira.


O motivo de seu cancelamento, nunca foi explicado convincentemente.
Elis Regina interpreta "Black is Beautiful" no Som Livre Exportação

Eis o Link para escutar no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=QVaXJAqwkyI

Se dava audiência; promovia a gravadora; intensificava a divulgação dos discos, e das trilhas das novelas; além de ser um estouro quando das versões ao vivo, realmente acreditar que a frustração em não ter emplacado tal pacote para o exterior, não parece plausível.
 
É muito mais provável que a ditadura deva ter “sugerido” à emissora que não continuasse, mesmo porque, Ivan Lins era persona non grata para o sistema; isso sem contar Chico Buarque, pior ainda, e o fato de Caetano Veloso ter participado de uma edição, numa rara vez em que veio ao Brasil, em 1971, no período em que estava oficialmente exilado em Londres.


De qualquer forma, embora tenha tido curta duração, a atração foi bastante salutar para a música brasileira daquele momento, levando muita qualidade sonora para a tela.
O jornalista Nelson Motta era o mentor da ideia, mas havia também outras pessoas de qualidade nessa história, como Augusto Cesar Vanucci; Eduardo Ataíde; Carlos Alberto Loffler; Walter Lacet, e Solano Ribeiro, este, um dos cabeças dos históricos festivais da Record nos anos sessenta.


Inacreditável que não tenhamos mais música dessa qualidade na TV, e não é admissível achar que a safra atual não seja boa, se levarmos em conta que no limbo do underground o que não falta é artista de extrema qualidade artística, só lhes faltando espaço para mostrarem-se ao grande público, coisa que a mídia atual não deixa.
Tem muita gente ótima por aí, mas escondida, e à margem do que os marketeiros da atualidade “acham” que vale a pena investir.


Uma pena mesmo que hoje se ligue na Globo às 20:30 h das quintas, e não vejamos Elis Regina apresentando aqueles artistas todos, mandando um som violento, mas ao contrário, damos de cara com as novelas, que ainda não encerraram sua ode às favelas...
Matéria publicada inicialmente no Blog Limonada Hippie, em 2015

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Kim Kehl & Os Kurandeiros - 14/11/2015 - Sábado / 21:00 H. - The Boss - Vila Madalena - São Paulo / SP


Kim Kehl & Os Kurandeiros

14 de novembro de 2015

Sábado  - 21:00 Horas

The Boss

Rua Mourato Coelho, 992

Vila Madalena

Próximo da Estação Fradique Coutinho do Metrô

KK & K :

Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz 
Nelson Ferraresso : Teclados
Luiz Domingues : Baixo 

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Kim Kehl & Os Kurandeiros - 13/11/2015 - Sexta-Feira / 21:30 H. - Santa Sede Rock Bar - Santana - São Paulo / SP


Kim Kehl & Os Kurandeiros

13 de Novembro de 2015

Sexta-Feira  -  21:30 Horas

Santa Sede Rock Bar

Avenida Luiz Dumont Villares, 2104

Santana

A 100 metros da Estação Parada Inglesa do Metrô

KK & K :

Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Nelson Ferraresso : Teclados
Luiz Domingues : Baixo

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Ben Casey - Por Luiz Domingues



Homem; mulher; nascimento; morte, e o infinito...

Cinco palavras pronunciadas em sequência, e que assim ganham conotação enigmática, denotando um código, possivelmente contendo alguma chave oculta.

Certamente que tal significado tem profundidade e surpreendia que em 1961, isso fosse a base fundamental de um seriado de TV, onde geralmente se pretende buscar a simplicidade.

É como dizia o próprio ator protagonista dessa série, Vincent Edwards : -“O cinema vende filé mignon, e a TV vende cachorro-quente”...

Só que houveram exceções e muitos seriados de TV foram concebidos com um requinte além da preocupação pueril do mero entretenimento, e esse foi o caso de Ben Casey, entre outras.

Lançada pela Rede de TV norte americana, ABC, Ben Casey estreou na mesma época de outra série lançada pela concorrente, NBC, que acabara de lançar uma série nos mesmos moldes, chamada “Dr. Kildare”, igualmente centrada no ambiente hospitalar, com médicos como protagonistas.

Obviamente que a comparação e a rivalidade foi estabelecida, e isso foi bom para ambas em termos de projeção, e tais conjecturas estabelecidas pelo público, trataram de realçar as diferenças entre as duas, que eram boas, ambas, embora diferentes no enfoque.

No caso de Ben Casey, havia uma profundidade maior, buscando o foco na analogia entre os casos ali apresentados em forma de doenças, com aspectos da psique humana, e assim, esbarrando sem cerimônias em aspectos socioculturais, antropológicos e até políticos.

A chave era realmente o mote descrito no primeiro parágrafo desta matéria, e que simbolizava a série em sua clássica abertura que marcou época, e traz saudade para quem acompanhou-a na ocasião.



De fato, as palavras “Homem; Mulher; Nascimento, Morte, Infinito" denotavam um código, e seu entendimento era menos enigmático do que imaginava-se, querendo designar apenas uma coisa : ciclo de vida.

Portanto, doenças são passíveis de serem criadas pelo próprio ser humano, na medida em que cuida de seu ciclo vital. Essa era a vital diferença de Ben Casey em relação à Dr. Kildare, que investia mais no enfoque humanista, em termos de resiliência pelas falhas inerentes do Ser humano, e oferecendo suporte amigo nas horas ruins, em termos de compreensão.

Antes de avançar, que fique claro, já escrevi sobre Dr. Kildare e particularmente gosto dos dois seriados igualmente, sem predileção acentuada, e enxergando nas diferenças, méritos para ambos.

Voltando às palavras chave, fazia parte da abertura do seriado, com a imagem de uma lousa (quadro-negro), com a voz do personagem,  Dr. David Zorba, interpretado pelo ator Sam Jaffe, as pronunciando pausadamente, com tom professoral e as desenhando na representação gráfica, com os seus respectivos símbolos científicos.

Só por esse ar solene e cerebral, já dava para instigar a imaginação, certamente.

A ação se passava no Hospital Geral de Los Angeles, um hospital público.

Ben Casey (interpretado por Vincent Edwards), era um jovem neurocirurgião desse hospital.

Seu estilo menos doce que seu rival, o Dr. Kildare, lhe imputou na época a alcunha de "galã arrogante", em detrimento de Jim Kildare ser um bom moço, solícito e bonzinho.

Mais cerebral e menos preocupado em ser amigo do paciente, Casey era mais objetivo e geralmente encarava a doença não como algo vindo a esmo para o enfermo, mas como uma somatização de fatores de seu cotidiano, que desencadearam-na.

Seu supervisor era um médico idoso e muito experiente, Dr. David Zorba (Sam Jaffe), outra semelhança com o seriado rival, Dr. Kildare, que tinha a figura senior do diretor do hospital, Dr. Gillespie (Raymond Massey).

Bettye Ackerman (como Maggie Graham) e Harry Landers (como Ted Hoffman), ambos na foto acima, foram atores de apoio no elenco fixo, também, além de Jeanne Bates; Marlyn Mason; Nick Dennis, John Zaremba (futuro The Time Tunnel) ; Jim McMullan; Kim Stanley, e Glenda Farrell

Foram 153 episódios, em cinco temporadas, compreendidas entre 1961 e 1966, e Ben Casey cativou a audiência americana, e de inúmeros países do mundo onde foi exibida com sucesso.

No Brasil, foi exibida na extinta TV Excelsior. 

Curiosamente, essa emissora também exibia o seriado concorrente, Dr.Kildare, em outro dia da semana (e se aproveitou muito bem dessa saudável rivalidade entre as séries e os atores protagonistas, suscitando muita polêmica entre o público telespectador).

E se considerarmos que ali, na primeira metade dos anos sessenta não haviam redes sociais e a internet era algo só plausível como fantasia futurista do desenho “The Jetsons”, o barulho que fez, na proporção inversamente presente na tecnologia da época, foi extraordinário.

O papel da medicina na sociedade também foi amplamente discutido nas entrelinhas de vários episódios, edificando o seriado, sem dúvida alguma.

Sobre a produção, ficou a cargo da produtora do ator/cantor Bing Crosby, a Bing  Crosby Productions, e ele em pessoa escolhera o ator Vincent  Edwards para interpretar o personagem protagonista, Ben Casey.

Os criadores foram James Moser e Richard Boone, e a produção a cargo de Matthew Rapf, representando a BC Productions.

A música tema, criação de David Raksin, tornou-se um hit comercial como single, e chegou a figurar nos principais charts de música americanos na época, no top 40, o que num mercado super competitivo e levando em conta também o fato da excelência musical da década de sessenta, foi algo bastante significativo. O pianista dessa gravação foi o celebrado, Valjean.

Um neurocirurgião experiente, Dr. Joseph Ransohoff, prestou apoio técnico para os roteiristas não falarem bobagens, dando credibilidade ao seriado.

Seguindo o caminho de marketing que a série concorrente, Dr. Kildare também teve, Ben Casey ganhou também versão em história em quadrinhos. Inicialmente em tiras de jornais, mas logo alcançando uma revista própria, publicada pela editora Dell.

Claro, mesmo muito bem produzida e desenhada por ilustradores de grande técnica (Neal Adams e Gene Colan), quando a série saiu do ar, perdeu leitores, mesmo porque não era um gibi direcionado para crianças e adolescentes, portanto, restrito à um público leitor volátil.

Kits de brinquedos e souveniers os mais diversos, tendo a série como tema, também entraram no mercado, e venderam muito.

Claro, assim como Richard Chamberlain (Dr. Kildare), Vincent Edwards (Ben Casey), se lançou como cantor, gravando um disco no rescaldo do sucesso do seriado, mas...deixe para lá...

Outro luxo que essa série teve, foi de contar com muitos diretores de categoria da TV na época, e também alguns que militavam no cinema. Nomes consagrados como Sydney Pollack; Leo Penn, e Mark Rydell são alguns entre vários que contribuíram, dirigindo vários episódios.

O próprio ator protagonista, Vincent Edwards, reivindicou o desejo de dirigir alguns episódios e mesmo criando um certo mal estar nos bastidores entre os produtores, acabou logrando êxito, dirigindo 7 episódios.

A lista de atores convidados que participaram desses 153 episódios é gigantesca, e tem muitos rostos conhecidos que participaram de um sem número de trabalhos em seriados americanos e do cinema.

Se você que está lendo esta matéria, viu bastante seriados americanos das décadas de cinquenta; sessenta, e setenta, principalmente, vai reconhecer diversos.

Eis alguns nomes : Anne Francis; Davy Jones (The Monkees); Beau Bridges; Malachi Throne (todas as séries de Irwin Allen); Paul Comi (todas as series de Irwin Allen); John Anderson (também figura carimbada nas séries de Irwin Allen); Ed Begley; Stella Stevens; Ellen Burstyn; Ray Waltson; Jack Warden; Yvonne Craig (recentemente falecida, 2015, a bela Batgirl de Batman); Elsa Lanchester (interpretou a clássica versão da noiva do Frankenstein, dos anos trinta); Abraham Sofaer (outro ator de confiança de Irwin Allen); Edward Andrews (veterano ator dos filmes de Frank Capra nos anos trinta e quarenta); Robert Culp; Suzanne Pleshette; Lee Grant; Peter Falk (Columbo); Susan Gordon; Howard Da Silva; Greg Morris; Richard Basehart (Voyage of the Bottom of the Sea); Barbara Barrie; Leslie Nielsen; Bill Bixby (The Incredible Hulk); Bruce Dern; George C. Scott; Telly Savalas (Kojak); Mabel Albertson, Eddie Albert; Robert Blake (Baretta); Patty Duke; Felicia Farr; James Franciscus; Lee Marvin; Burgess Meredith (o Pinguim do Batman); Simon Oakland; Cliff Robertson; Rod Steiger;Tuesday Weld; Edward Asner; James Caan; Melvyn Douglas (veterano ator dos anos 30 e 40), Sammy Davis Jr.; Clint Howard; Eduard Franz; Patricia Neal; Ricardo Montalban (The Fantasy Island); James Whitmore; Dana Andrews (outro veterano dos anos 40 e 50); Witt Bissell (The Time Tunnel); William Demarest; Jill Ireland; Darren McGavin (Kolchak, the Nightstalkers); Katharine Ross; Rip Torn; Jessica Walter; Shelley Winters; Michael Ansara (ator em todas as produções de Irwin Allen, e provavelmente o cara mais sortudo do mundo, porque era marido na vida real de Barbara Eden (Jeannie…); Gladys Cooper; James Farentino; Richard Dreyfuss; George Hamilton; Victor French (The Little House on the Prairie); Van Johnson; Eartha Kitt (cantora, e a 3ª Mulher-Gato de Batman); Roddy McDowell; Don Marshall (Land of the Giants); Susan Oliver; Billy Mumy (Lost in Space); Nehemiah Persoff; Linda Gay Scott; Cesar Romero (o coringa de Batman); Everett Sloane; Gloria Swanson (grande diva do cinema dos anos 20  e 30); e muitos outros, pincei alguns apenas.

Pela época em que foi lançada, comecinho de anos sessenta, suas primeiras temporadas foram produzidas em preto e branco, mas foi mais uma série americana que fez a transição da produção do PB para a cor, por volta de 1966.

Foi também bastante parodiada em programas humorísticos americanos, explorando a seriedade do mote original para demoli-lo na pilhéria do humor popularesco.

Uma inovação interessante se deu quando o personagem Ben Casey participou de um episódio de outra série, chamada “Breaking Point”, que era da mesma produtora de Bing Crosby, e tal experiência certamente abriu caminho para o conceito do Spin-off, que ganharia força muitos anos depois na TV americana, com séries derivadas de outras séries, dando sobrevida a um certo personagem já querido do público, mas num contexto inteiramente novo.

Na última temporada, o ator veterano Sam Jaffe deixou a série e um novo personagem foi introduzido, seguindo a dramaturgia, sugerindo a substituição do supervisor do hospital. Entrou em cena, o Dr. Daniel Niles (interpretado pelo também veterano ator Hollywoodiano, Franchot Tone, foto acima).

Sam Jaffe e Franchot Tone eram experientes atores de cinema que tiveram trabalhos relevantes entre as décadas de trinta e cinquenta, e estavam se dando bem também nas produções de TV.

E além de ganhar cores, a série seguiu uma tendência de mercado entre 1965 e 1966, quando muitos seriados adotaram o formato de história contínua, ao estilo novela, com cada episódio estabelecendo gancho a prender a atenção do telespectador até a continuação no próximo episódio. Tendência que persiste em muitos seriados americanos da década de noventa para cá.

Mas tal novidade na época, não garantiu a audiência que esperavam e Ben Casey encerrou sua saga na quinta temporada, 1965-1966.

E também teve uma tentativa de volta, muitos anos depois, em 1988, na forma de um TV Movie (The Return of Ben Casey), mas não causou grande comoção e convenhamos, era uma outra época na América, e os valores haviam mudado.

Sobre os episódios, muitos se destacam pela qualidade de texto.

Citar todos seria impossível para não tornar esta matéria um tratado. E citar poucos, seria injusto perante a qualidade de tantos omitidos.

Opto por poucos, deixando a ressalva de que muitos são excelentes.

Um da primeira temporada, muito interessante, é o da moça epilética (interpretada por Joan Hackett), que num acidente de carro perde seu bebê e tem diagnosticada a origem de sua doença na verdade, num fator psicológico, adquirido pela super proteção em que fora criada pelos seus pais. Casey pega pesado com o pais dela, sendo até invasivo e mal humorado, mas ...era necessário.

Assista o episódio “In a Certain Time, A Certain Darness”:
Eis o Link para assistir no You Tube :

https://www.youtube.com/watch?v=tvhr1P_gUzQ

Outro, da segunda temporada mostra uma moça (Illyana, interpretada por Janet Margoli), filha de um imigrante pobre, que acidenta-se, ficando parcialmente cega. Numa estranha circunstância, sua vida se cruza no hospital com um bandido (Ollie, interpretado por Steven Hill), também internado e protegido por magnatas arrogantes. Casey dosa a aspereza com a doçura para lidar com estranha relação.

Assista o episódio : “Legacy From a Stranger”:
Eis o Link para assistir no You Tube :

https://www.youtube.com/watch?v=sT_FSV9_Rwc

Mais um e desta feita da terceira temporada e bem interessante, se ambienta no mundo do futebol americano. Quase uma praxe na tradição das séries americanas, ao menos um episódio, mesmo que seja um seriado de Sci-Fi  situado dez séculos adiante de nossa época, eles tratam de inserir um episódio relacionado aos esportes que eles amam. Geralmente futebol americano e baseball, mas o boxe; basquete; e o automobilismo também comparecem com frequência.

Desta feita, o caso é o de um jogador de futebol americano veterano e turrão (Terry Dunne, interpretado por Neville Brand, um ator muito rodado nas séries dos anos 1950, 1960 e 1970), que tem problemas oftalmológicos que podem fazer com que tenha que se aposentar, mas ao mesmo tempo que não quer fazer isso, recusa o tratamento. Somente o Dr. Ben Casey para dobra-lo...

Assista o episódio : “Will Everyone Who Believes in Terry Dunne, Please Applaud” :

Eis o Link para assistir no You Tube :

https://www.youtube.com/watch?v=6PbMNjmt0a4



Na quarta temporada, um surpreendente Jerry Lewis que vivia sua fase de ouro no cinema fazendo comédias malucas, interpreta um médico sério (personagem Dr. Dennis Green), e sério até demais por sinal, pois está à beira de um colapso pelo excesso de trabalho.

Assista o episódio : “A Little Fun to Match the Sorrow” :

Eis o Link para assistir no You Tube :

https://www.youtube.com/watch?v=IllLaVlbFH4



Na quinta temporada, o Dr. Ben Casey acaba se envolvendo com uma paciente chamada Jane Hancock, interpretada por Stella Stevens, que acordara de um coma que durou treze anos. OK, a ética médica proíbe terminantemente que médicos ou enfermeiras se envolvam emocionalmente com pacientes, mas a comoção pela situação ali colocada na dramaturgia não causou polêmica sobre o deslize do eficiente doutor.

O ator Vincent Edwards nos deixou em 1996, vencido por um câncer no pâncreas. Sam Jaffe partira antes, em 1984, com 93 anos de idade, também por câncer.

Desconheço a existência de um Box Set de DVD com as cinco temporadas lançado no Brasil, com legendas e/ou a dublagem brasileira de época, sempre muito nostálgica para todo mundo que curtiu a série nos anos sessenta, e invariavelmente com os atores americanos falando um português bem articulado pelos nossos valorosos dubladores, e com sotaque paulista ou carioca, dependendo da produção local brasuca...

O jeito é recorrer a colecionadores particulares que sempre arrumam tal material; assistir no You Tube, ou encarar a caixa de DVD americana, sem legendas, mas recheada de extras sensacionais.

Ben Casey marcou época, certamente.

Ao lado de Dr. Kildare, sua contemporânea; concorrente e rival direta, foi uma série que ajudou a consolidar a tradição de seriados enfocando o mundo da medicina.

Abordou-se a área médica de uma maneira bastante criativa, mostrando questões éticas, mas também mostrando que a enfermidade não é algo aleatório que acomete os seres humanos, mas pelo contrário, é causada por uma série de fatores e muitas vezes, provocados por nós mesmos, por não prestarmos atenção nos detalhes da vida, principalmente no que nos concerne diretamente, obscurecidos que somos pela vida frenética da sociedade de consumo, e seu cotidiano gasto em apenas um objetivo : ganhar dinheiro...

De certa forma, o Dr. Ben Casey é uma espécie de avô do Dr. House, personagem protagonista da série homônima, que fez e ainda faz sucesso no pós anos 2000.
Nesse frame de um episódio, o grande Sammy Davis Jr. como ator convidado, contracenando com Vincent Edwards (Ben Casey)

Mas ele não era sarcástico, é verdade, mas tem em comum uma forma realista e sem rodeios para tratar com objetividade e franqueza os pacientes.

Ouça o tema de abertura da série :

Eis o Link para escutar no You Tube :

https://www.youtube.com/watch?v=10Jklu-kd8k

Por fim, a grande chave da série se cumpriu com galhardia !

Fechamos todos um ciclo de vida que resume-se a : homem; mulher; nascimento; morte e infinito...