sábado, 26 de março de 2016

8080 - Por Luiz Domingues


Eis que recebo o trabalho de uma banda paulistana relativamente nova, mas formada por dois guitarristas da pesada, e tarimbados da cena Rocker da cidade de São Paulo.


Chamada 8080, a banda liderada pelos ótimos Chico Marques e Cláudio “Moco” Costa, apresenta seu CD debut à cena artística, em grande estilo.
Ambos são amigos de longa data, oriundos da simpática cidade interiorana paulista de Marília (alô, MAC !!), e que vieram batalhar a carreira na capital paulista, há mais de 15 anos, adquirindo assim muito respeito e admiração, atuando na noite com bandas tributo; side man de artistas em geral, e tornando-se produtores musicais com muitas ações em estúdios. 


E agora acertam a mão mais uma vez ao se lançarem como banda autoral, e mostrando um trabalho de forte apelo pop, com muita substância musical e atributos múltiplos.
Antes de avançar nesta resenha, devo esclarecer que sim, o 8080 mostra fortemente sua influencia pelo BR-Rock 80’s, mas também, ao contrário do que se poderia imaginar em se tratando de uma banda fundada por dois guitarristas, a intenção não era fazer menção ao amplificador Marshall 8080, tampouco, todavia, a explicação oficial vinda de ambos, é que tal numeração correspondia à placa de um carro que Chico Marques possuía quando conheceu Cláudio “Moco”Costa, lá na ensolarada Marília, no início dos anos 2000. 
Mas no cômputo final, acredito que a somatória das três hipóteses faz sentido, pois de fato tem um sabor da década de oitenta no trabalho; tem enfoque total das guitarras (daí a menção ao amplificador fazer jus ao nome), e a explicação oficial é típica cultura Rocker, ao atribuir um certo quê de misticismo em evocar um “sinal mágico”, certamente enviado pelos Deuses do Rock.


Sobre o álbum homônimo, são dez faixas para se saborear.
O talentoso Chico Marques, um artista de múltiplos atributos

O disco abre com “Todo Mundo Quer Amor”. Trata-se de um Rock bem para cima, festivo, e com muita influência do Barão Vermelho.


O trabalho das duas guitarras é excelente. Riff; base; solo, e contra solos como manda o figurino.


O vocal do Chico é límpido; com excelente emissão; dicção, dando o recado como Cazuza dava, mas na minha opinião, Chico tem mais atributos vocais, e empolga em meio ao alto astral da canção. A presença dos backing vocals em vocalises de “Uh-uhs” lembra a Rita Lee & Tutti Frutti dos bons tempos.


A letra fala de amor, sem grande arroubo poético, mas atende ao clima da música, com eficácia.


Discreto, mas muito funcional, um órgão Hammond ao fundo faz uma base ao estilo “sombra”, que dá um charme e tanto para a canção. Esse teclado foi executado pelo próprio Chico Marques.
               Ouça "Down te Amar", na postagem do You Tube

A segunda faixa, “Down de te Amar”, começa com um slide muito bacana. Lembra o AC/DC de certa forma, pelo Riff de Rock básico, envolvente.


Nesta canção, um convidado especial atua, Ricardo Cristaldi, um ótimo tecladista que somou muito ao trabalho. A intervenção dele ao Clavinete é sensacional, trazendo um tempero de Black Music, com um balanço incrível. Impressiona também a extrema felicidade na escolha do timbre desse instrumento. Curti muito.


Eclético, também colocou piano elétrico (que Billy Preston abençoe o Fender Rhodes !!), e órgão Hammond, enriquecendo demais a música.
Chico e Cláudio brilham igualmente com guitarras super desenhadas e sensacionais, que passeiam com desenvoltura pelo pan do stereo, e os timbres são ótimos.


Ótimo refrão, e um solo de entortar.                                         


Chico mais uma vez mostra seu talento vocal, com uma interpretação ótima.
   Ouça "Nosso Mundo é ainda Perfeito" no promo do You Tube

Hora de ouvir “Nosso Mundo ainda é Perfeito”. Essa remonta mais a outra vertente do BR Rock 80’s. Lembra artistas mais pop e menos Rock, como Lulu Santos; Rádio Táxi; Kid Abelha, e até o Kiko Zambianchi.


Tem intervenções de sintetizadores ao sabor dos anos oitenta, além de guitarras mais limpas, mas extremamente bem colocadas e tocadas.
           Ouça "Amor ao Contrário na postagem do You Tube

“Amor ao Contrário” é uma bela balada. Tem um swing que certamente bebe da fonte do R’n’B e remete aos Stones, mais anos 1980.


Tem um violão descolado, tocado pelo Chico, amenizando a harmonia, e uma grande profusão de arpejos super inspirados da guitarra do Cláudio.
     O grande Cláudio "Moco" Costa, um guitarrista superb 

O refrão é muito bom, num crescendo, com uma linha melódica bem desenhada, não só pela criação da melodia em si, mas pelo ótimo tratamento de áudio, no acabamento final da mixagem, que o valorizou, bastante.


Eis a quinta faixa, “Ganhar ou Perder” onde a menção aos Stones e Barão Vermelho é total, numa combinação muito boa de riff e melodia.


Excelente solo, super Rock’n Roll, e um refrão com uma modulação harmônica sutil, mas bem bacana.
A sexta faixa, “Caso Encerrado” entra com riff forte, e uma voz dobrada muito legal.


O fato do Cláudio ser técnico de som e ter feito a mixagem, certamente foi decisivo nessa ótima escolha de desenhos passeando pelo pan. O stereo é muito bem aproveitado, com muitos detalhes, que deixaram o trabalho não só nesta faixa, mas no disco todo, muito rico.


“Você nem Liga”, a sétima faixa, tem uma certa aura reggae/ska, e lembra o trabalho do Hanoi-Hanoi de alguma maneira.


O convidado Ricardo Cristaldi colocou um naipe de metais sampleados via teclados, bem arranjado, além de algumas pontuais intervenções de sintetizador ao longo da canção. Até o uso de um recurso tipicamente oitentista, o “clap”, é usado.
Cláudio arrasa no Wah-wah.


Sutis também são alguns backing vocals costurando o vocal principal, num arranjo bastante feliz.


“Simples” lembra os Stones, mas de outra época, mais sessentista, talvez pela batida que me fez lembrar de “Child of the Moon”.


Mais uma ótima presença das guitarras, com timbres sensacionais, e um vocal dobrado e muito bem desenhado.


Gostei da solução do fade out final, acho que foi perfeita.
A nona faixa, “O Certo é o seu Mal”, também apresenta Riff forte e muito Rock’n’Roll. Mais uma que lembra o Barão Vermelho, fala de amor, como quase todas as demais, mas com um pouco mais de acidez.


“Fingindo ser tão Chic, pra ver se chama a atenção

Perdendo toda a classe se alguém te fala que não,

Tentando a noite inteira achar o seu alvo ideal”...


Sem dúvida uma das melhores letras do álbum, em minha ótica.


“Apoteótico” entra fazendo jus ao nome, com um riff Rock clássico e bem animado.


O refrão envereda pelo pop oitentista, super radiofônico e a pergunta é inevitável : porque uma banda como o 8080 não está tocando nas emissoras de rádio ? Bem, sabemos a quantas anda a mentalidade no panorama da difusão mainstream...portanto, só lamento essa ausência.


Gostei da letra, com uma firmeza de propósito das mais salutares. O negócio é seguir em frente, sem espaço para o desânimo, mesmo que as coisas não estejam do jeito que gostaríamos.


“Mesmo que eu tropece nos meus passos,

 Tudo o que eu quiser um dia eu faço,

Mesmo se eu tiver um ponto fraco,

Não me iludo mais, eu piso em falso,

Mesmo que eu me esqueça um pedaço,

Levo a maior parte nos meus braços,

Pra chegar inteiro no final”...


Nesse trabalho inicial, Chico e Cláudio tocaram todos os instrumentos, fora as faixas onde o tecladista Ricardo Cristaldi colaborou.
Chico Costa tocou guitarra; violão; órgão Hammond e foi coprodutor geral , enquanto Cláudio “Moco” Costa tocou guitarra e baixo; além de programar a bateria eletrônica; produzir; editar, e mixar o álbum.


Por isso não mencionei baixo e bateria nas faixas, pela ausência de componentes oficiais nesse trabalho.


Sobre a bateria, foi super bem programada, e é muito eficaz, com rara felicidade até. Para o padrão pop, é perfeita, atuando reta, com discretas viradas etc e tal, mas deixo a ressalva que a banda já providenciou um baterista de alta técnica e fixo na formação (Lucas Melo), e que certamente vai gravar uma bateria mais humana e desenhada nos próximos trabalhos, enriquecendo ainda mais o trabalho do 8080.
      O promissor Lucas Melo, um tremendo reforço para o 8080 

Sobre o baixo, Cláudio executou as linhas com grande firmeza, bom timbre e eficácia. Não tem grandes voos, mas também está bem agradável no contexto.


Outra boa nova, a banda já anunciou a presença de um ótimo baixista oficial, Silvano Andrade, que vai somar muito nesse trabalho, certamente.
                      Silvano Andrade, um baixista da pesada 

Outra particularidade dessa obra, é que ela foi gravada numa noite só, e segundo Chico e Cláudio, as músicas foram compostas; arranjadas; e gravadas, ali no calor do estúdio, mostrando mais um trunfo da dupla, ou seja, com a criatividade à flor da pele.


Sobre a gravação, gostei muito da sonoridade geral, e como já salientei, os timbres dos instrumentos, sobretudo as guitarras, ficaram espetaculares, além de também chamar-me muito a atenção o tratamento dado às vozes, no processamento de mixagem.


Gostei do padrão da mixagem, com tudo na frente, e que honra as tradições do Rock, num dos aspectos que mais o consagraram, isto é, o fato de que todos os instrumentos são importantes no cômputo geral, portanto, Cláudio soube dar essa marca ao disco.
A respeito da capa, gostei bastante da ilustração. Trata-se de uma garota jovem; sensual; e muito voluptuosa, mostrando-se bastante perigosa a nos apontar um ostensivo revolver. Apesar de parecer agressivo, creio que a metáfora é outra, e não me chocou necessariamente.


O responsável pela ilustração foi Paulo Argollo, que mostrou ter influência boa das Comics, com traços bem bacanas.


Gravado; mixado, e masterizado no DaCosta Studio, em 2014.


Produção geral de Cláudio Costa e Chico Marques.
Para quem fica o dia inteiro nas Redes Sociais reclamando que o Rock brasileiro está caído, ou mesmo morto, digo com pesar que se trata, infelizmente de um preguiçoso, ou deliberadamente gosta de fazer o gênero “reclamão”, destilando seu insuportável “mimimi”, ao disseminar baixo astral e derrotismo sem fim.


Mesmo em se considerando que a difusão mainstream atual está realmente dominada em sua totalidade  pelos agentes da subcultura (ou mesmo anticultura, o que é muito pior), por outro lado, existe uma cena  underground viva e pulsante, com dúzias, ouso dizer, centenas de bandas de muita qualidade,  fazendo música de todas as vertentes imagináveis.
Portanto, se ao invés dos lamentos, as pessoas tirassem as suas respectivas nádegas preguiçosas do sofá para irem prestigiar tais artistas nas casas de espetáculos onde se apresentam, ou no mínimo tivessem paciência para ouvir seus trabalhos na internet, e os compartilhassem nas redes sociais, já seria um alento.


Basta fazer uma busca nos arquivos dos meus Blogs 1 e 2, e verificar que já enfoquei vários artistas de qualidade, e que merecem nosso apoio.


É o caso do 8080, outra banda brasuca que eu recomendo !


Para conhecer melhor o trabalho dessa boa banda, procure sua página no Facebook :




Procure também o seu canal oficial de You Tube :




E dá para ouvir o disco também no Soundcloud :

segunda-feira, 21 de março de 2016

De Onde vem os Políticos ? - Por Luiz Domingues





Desde sempre, a máxima espanhola que diz : “se hay gobierno en esta tierra, yo soy contra”, também domina o imaginário do brasileiro de uma forma muito contundente.


Na maioria das vezes, as reclamações procedem, pois a má gestão grassa em todas as esferas da administração pública, mas também a falta de reconhecimento da parte da população para com eventuais acertos e a boa vontade em acertar em muitos aspectos, é notória.


Esse é um primeiro ponto a se pensar.
Outro aspecto, tão gritante quanto a constatação de que vivemos uma época de onde nunca se desvelou tanta corrupção com uma roubalheira atingindo cifras inacreditáveis que se bem usadas em ações públicas tão necessárias, melhorariam setores que estão moribundos, caso da saúde e educação pública; fora a segurança; saneamento e infra estrutura que estão em patamar insuportável.


Portanto, um alimento e tanto para os “reclamões de plantão”, que mesmo que nada houvesse de errado no panorama da política, bradariam contra veementemente e agora diante das provas cabais surgindo, tem prato cheio para berrar.
É nesse ponto que a reflexão mais aprofundada não avança e ficamos na superfície da análise popularesca, que não propõe enxergar os fatos de frente, com o povo a ficar no “oba oba” dos linchamentos morais, e agora com o advento das redes sociais da internet, isso ganhou proporção de histeria incontrolável.
Vejamos um exemplo prático que aos nossos olhos parece estranho pelo choque de culturas muitos diferentes : no Japão, um político que é desmascarado em alguma falcatrua, sente tanta vergonha pelo fato em que se envolveu, que tem vontade de morrer, desaparecer inteiramente, como única forma de se livrar da pressão que tal ato hediondo por ele cometido causou, com prejuízo à coletividade, e por conseguinte destruindo sua reputação pessoal, e pior ainda, envergonhando seus familiares. 


Isso é inimaginável na cultura brasuca carnavalizada, onde nada envergonha e tudo pode, não é mesmo ?
Então chego ao âmago da questão : se achamos normal urinar nas ruas; jogar lixo pelas calçadas; jogar entulho em qualquer lugar; destruir patrimônio público e privado; vandalizar; circular com bicicletas sobre calçadas; avançar o semáforo no vermelho; fazer conversões proibidas, obstruir entrada de garagens; furar filas; não respeitar idosos e deficientes físicos; mentir para obter vantagens pessoais; falar mal da vida alheia; praticar bullying; pedir coisas emprestadas e não as devolver ao seu dono; não honrar dívidas contraídas deliberadamente; gerar intriga; desdenhar das pessoas; e tantas e tantas falcatruas que o brasileiro comete diariamente e as considera como coisas corriqueiras, ou como dizem os mais dissimulados : “faz parte da nossa cultura”, como podemos colocar o dedo em riste na face dos políticos e empresários que perpetram esse espetáculo deprimente de corrupção e desvio de verbas ?


De onde vem o “jeitinho brasileiro” ??
A maldita concepção de “malandragem”, a cultura do “esperto que ludibria otários”, ou para ficar numa gíria mais moderna, os “manés”.


Essa ideia paradigmática que somos um povo cheio de malandragem, criou uma falsa noção de superioridade, que beira o ridículo. Todo brasileiro é “malandro”; é “esperto”, e ludibria facilmente os “manés”  gringos...
Ok, então...nós somos malandros que aplicamos pequenos golpes e arrancamos dinheiro dos “trouxas” dos gringos que vem fazer turismo aqui. OK, somos  “superiores” e eles, uns “otários”...


Os Finlandeses; dinamarqueses; suecos; norte americanos; franceses; britânicos; alemães; suíços; japoneses...todos são uns otários, e nós é que somos “malandros”...
Diante dessa perspectiva, lhe pergunto caro leitor : de onde saem os políticos e os empresários que se envolvem nas falcatruas de corrupção, propinas, favorecimentos e desvio de verbas públicas com lavagem de dinheiro e afins ?


Tal categoria de seres não são humanos desse mesmo seio pátrio ?


Tais criaturas abomináveis não foram criados na mesma cultura da malandragem, que há séculos vem sendo valorizada e cantada em prosa e verso ?
Somos ou não somos um povo “macunaímico”, no pior sentido do conceito cunhado por Mário de Andrade, impregnado de valores equivocados acerca das questões éticas ?


Como podemos nos surpreender ao nos depararmos com a roubalheira em todas as esferas do setor público e de mãos dadas com as expectativas de boa parte da iniciativa privada, que acostumou-se com a máxima de que ”nada funciona se não se molhar a mão dos políticos” ?


Vejo portanto com bons olhos a ação da Polícia Federal; Ministério 
Público e demais órgãos envolvidos na determinação de apurar denúncias múltiplas que estão em alta voga na mídia, mas deixando a ressalva de que toda denúncia deve ser investigada a fundo e muitas vezes isso não acontece, com engavetamentos indevidos e uma velada torcida de um grupo “B” que quer apenas explorar as sujeiras do grupo “A”, blindando sua “tchurma” e agindo na pior prerrogativa possível, baixando o nível das discussões ao patamar da mentalidade das torcidas uniformizadas de clubes de futebol, ou seja, “os nossos bandidos são mais legais que os seus”...
Ora, enquanto não mudarmos a mentalidade, e leia-se uma quebra de paradigma histórica, ficaremos no limbo da civilização, chafurdando no terceiro mundo e reclamando do político safado que desviou milhões blá blá blá.


A consciência de que essa cambada de ladrões sai do mesmo povo em que eu e você faz parte, precisa ser encarada de frente e nossa missão (e eu quero crer que você leitor, não compactua com a imoralidade e tem caráter ilibado), começa pelo verdadeiro clamor que a camada honesta da população tem que fazer, que é mudar completamente a mentalidade do nosso povo e isso só se consegue mediante um mutirão pró educação, de forma maciça.


Talvez a atual geração esteja perdida, lamento ser realista e dizer isso, mas se os bebês que agora nascem começarem a ser criados com outra mentalidade, há esperança, aliás, sempre há.


Políticos e empresários corruptos e corruptores, não vem de Marte; Saturno ou de outra galáxia. São apenas brasileiros que cresceram acreditando na ideia de que somos todos “malandros” e nada se consegue com trabalho honesto e lucro justo.
Cresceram ouvindo os pais e os avós, dizendo que tudo só se resolve com “jeitinho”. Ouviram os seus professores dizendo que as “brechas da Lei permitem muitos deslizes”, e que imoralidade ou amoralidade não são tão graves se são passíveis nas aberturas vergonhosas que o texto capcioso das leis lhes dão margem. 

Entraram na vida adulta achando “normal” pagar e pedir propina; que fiscais são apenas achacadores oficializados; que “obter vantagem em tudo” é uma virtude...
Que se investigue;  prove; julgue e castigue, todo corrupto e logicamente com ressarcimento da verba surrupiada, aos cofres públicos. Que se cobre a ação implacável para todos que cometeram atos ilícitos, sem exceção e doa a quem doer.


Mas que cheguemos à conclusão de que ser “malandro” é vergonhoso, tanto quanto achar que os gringos são “otários”. 

Compare os países de primeiro mundo ao Brasil e tire sua conclusão sobre quem são os verdadeiros “trouxas”...
Chega de bundalização !! 

Chega de malandragem !!


Quando Charles De Gaulle, então presidente da França, afirmou que o Brasil não era um país sério, lá no longínquo ano de 1968, os brasileiros ficaram ofendidos. Ora, falou alguma mentira ?
Recentemente, 2016, uma reportagem na mídia americana afirmou que o povo brasileiro dança nu nas ruas, em meio à uma epidemia terrível, perpetrada pela ação de um mosquito a lhe transmitir três doenças graves, alheio à catástrofe, referindo-se ao carnaval.

Seus pares brasucas se ofenderam, dizendo que o jornalista que assinou a matéria foi preconceituoso...


Com crise econômica; política; moral e epidemia alastrando-se pela profusão de mosquitos, o povo brasileiro abre mão do seu carnaval  (eu sei que a festa atrai divisas, mas convenhamos, o dinheiro que entra pela via do turismo, dilui-se em mil bolsos e não necessariamente se reflete em ações públicas concretas que beneficiem a coletividade) ?

Pois é, quando vejo protestos e alguns justos até, penso na superficialidade que nos atravanca.


OK, não é só pelos vinte centavos do aumento da tarifa dos ônibus urbanos, mas nunca se chega ao verdadeiro âmago da questão, ou seja : você, brasileiro, está disposto a deixar de ser “malandro” e não furar a fila ?


Pense nisso antes de arranhar a sua panelinha, na varanda gourmet da sua residência...
Matéria publicada inicialmente no Blog Planet Polêmica, em 2016