sábado, 23 de julho de 2016

O Semáforo é para todos, embora muitos não pensem assim... - Por Luiz Domingues



Há relatos de que as leis de trânsito remontam à antiguidade.
No Império Romano, como era de se esperar para um povo que tinha a sofisticação das leis, foram criadas regras de trânsito para a circulação urbana e também nos mais de 350 mil Km’s de estradas que criaram em seus domínios.


Há registros de reclamações sobre o caos nas ruas de Atenas e Esparta, também, denotando que os gregos igualmente sofriam com a questão da ordenação do trânsito.
E assim as coisas foram evoluindo, passando pela Idade Média e o conceito europeu dos burgos cercados por muros fortificados e espaço exíguo para a circulação de carroças e cavaleiros montados etc etc.


O primeiro registro da existência de um sinal usando cores a ordenar a parada de uma fila para a passagem de outra em vias cruzadas, veio em 1836, em Londres, quando as autoridades locais criaram a figura de um agente público caminhando na frente dos veículos, sinalizando com uma bandeira vermelha, a passagem de um comboio, no afã de evitar atropelamentos de pedestres ou choque com veículos vindos de outros cruzamentos.
Ainda em Londres, no ano de 1868, o conceito evoluiu para um sinal fixo, com duas hastes de controle manual, movimentadas por um policial, contendo as luzes verde e vermelha. Nessa época, o verde queria dizer “cuidado”, e o vermelho, já era uma ordem para parar. Tais luzes eram iluminadas num sistema a gás.


Mas foi nos Estados Unidos, no ano de 1920, na cidade de Detroit / Michigan, curiosamente a cidade que sedimentou-se como o berço da indústria automobilística americana, que o semáforo como o conhecemos, nasceu de fato.


Sofisticado por ser elétrico, trouxe a simbologia das três cores como nos habituamos desde então, acrescentando o sinal de coloração amarela, este sim para designar o “cuidado” (que também interpretamos como “atenção”), e o verde passando a significar o sinal livre para passar.


No Brasil, os primeiros semáforos elétricos de três cores foram instalados nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, logo a seguir (por volta de 1930).


O primeiro código de trânsito brasileiro foi promulgado em 1941, e o segundo, em 1966. 


A versão em vigor, é a terceira, de 1997.


Para feito de não confundir pessoas com daltonismo, estabeleceu-se que a ordem seja sempre o do sinal vermelho na parte mais alta; amarelo no meio, e a luz verde na parte inferior.

Tudo muito simples, uma criança de dois anos de idade decora facilmente tais regras.


Parece ser muito óbvio que cada cidadão, estando conduzindo um veículo ou não, saiba muito bem que ao deparar-se com o sinal vermelho, deve parar totalmente, para que pedestres possam atravessar a via e outros veículos vindos da via que faz cruzamento, possam passar, também.


Básico do básico do básico, óbvio ululante, chega a ser infantil ter que repetir algo tão evidente, não acha ?


Para reforçar o que digo, veja o que diz exatamente o capítulo que trata de tal regulamentação sobre a obediência aos sinais, no Código de Trânsito Brasileiro, em seu capítulo IV / artigo 70 : 

Art. 70. Os pedestres que estiverem atravessando a via sobre as faixas delimitadas para esse fim terão prioridade de passagem, exceto nos locais com sinalização semafórica, onde deverão ser respeitadas as disposições deste Código.

Parágrafo único. Nos locais em que houver sinalização semafórica de controle de passagem será dada preferência aos pedestres que não tenham concluído a travessia, mesmo em caso de mudança do semáforo liberando a passagem dos veículos.

No valor atual, de 2016, a multa por ultrapassar o sinal vermelho, é de R$ 191,54 e sete pontos anexados ao prontuário.
 
Claro, tudo pode agravar-se se houver um atropelamento ou colisão com outro veículo, ou dano ao patrimônio público.
 
Então, diante de uma regra tão fácil de ser entendida e que regula a segurança de todos, qual o motivo para que tantas pessoas a burlem, diuturnamente.

Pressa (é o que os motoboys alegam, “pilhados”pelas firmas que os empregam e cobram agilidade) ?

"Não é comigo... Essa é a alegação de muitos “bicicleteiros”(chamo-os assim de forma pejorativa e proposital pois respeito o ciclista consciente e separo o joio do trigo, portanto).

Mesmo caso dos Skatistas e patinadores, que supõe conforme sua vã filosofia, que o semáforo não lhes diz respeito, e que se danem os pedestres...

Por quê não param ??

Vejo, de forma assustadora o crescimento de atropelamentos pelas vias públicas das cidades, e não necessariamente só em megalópoles como a que eu hábito, caso de São Paulo. 

A pressa desenfreada de todos em torno de alcançar objetivos baseados no desespero para se ganhar dinheiro pode ser uma boa desculpa respaldada pela sociologia. Ganha amparo em outros estudos como a antropologia; psicologia, causas culturais; paradigmas; sistema de crenças etc etc. 

Mas acho que tem outras explicações para tal fenômeno de desobediência em massa, e suas razões, não são nada nobres.
A arrogância em pensar que não deve esperar para os demais passarem, parece uma marca registrada em comum na maioria dos casos de tais infratores.

Some-se a isso uma dose de prepotência, arvorada na maldita mania de se achar “especial”, diferente da patuleia que obedece como carneirinho, é outro fator. 

No fundo, a raiz dos males que afligem-nos no trânsito é a mesma que nos atormenta em todos os setores da sociedade neste país : a famigerada “malandragem” do brasileiro.

Se todos são “espertos” e querem burlar o semáforo, diga-me caro leitor, como podemos atravessar uma rua sem o medo de sermos mortos ?

Pessoas falam-me que sou muito “certinho”e que para viver sob os parâmetros que considero corretos, o melhor seria mudar-me para a Suíça. OK, é uma boa solução e assim, não preocupar-me mais com essa questão tão “terceiro mundo”, mas, não é legítimo projetar um Brasil que extirpe suas mazelas e alcance uma padrão de cidadania exemplar ?

E tal predisposição começa com atos simples, como por exemplo, respeitar um sinal de trânsito...  
Matéria publicada inicialmente no Blog Planet Polêmica, em 2016.

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