domingo, 18 de dezembro de 2016

Algum Tempo em Nova York, com Lennon & Yoko - Por Luiz Domingues


Os Beatles já haviam encerrado a sua história; o casal John & Yoko já tinha lançado três álbuns completamente experimentais, e que haviam chocado a crítica, e até alguns fãs dos Beatles (talvez a maioria...); e também já tinham três álbuns, digamos convencionais, de sucesso nas paradas.

Mas em se tratando de John & Yoko, os três álbuns ditos “normais” do casal, não eram exatamente preocupados em agradar os fãs dos Beatles, tampouco atender as expectativas de mercado, apesar de num deles (Imagine), ter a marca do cifrão em pessoa na produção, caso de Phil Spector. 
Live in Toronto’69, na verdade era uma colagem de canções gravadas ao vivo, improvisadamente , numa gravação feita sobre a participação do casal num festival em Toronto / Canadá, com poucas músicas, e uma banda juntada às pressas, e que segundo reza a lenda, ensaiou no avião, no trajeto entre Londres e Toronto (Lennon; Yoko; Eric Clapton; Klaus Voorman, e Alan White).

E também não saiu na época como disco oficial, mas bastante tempo depois, como um bootleg oficializado.
Portanto, o primeiro álbum realmente oficial de Lennon, como carreira solo, foi considerado “Plastic Ono Band”, lançado em 1970, com as cinzas dos Beatles ainda aquecidas.

Aí sim, um álbum de estúdio, com músicas inéditas e absolutamente viscerais. Profundamente introspectivo e rude, chega a ser selvagem em alguns aspectos, no bom sentido do termo.
Trata-se de um dos meus discos prediletos da carreira solo de Lennon, e tem muito da profunda influência que ele e Yoko estava tendo das sessões psicanalíticas da Primal Scream Therapy, do Dr. Arthur Janov. Ali, ele expressou através da música, a catarse, com todos os seus bichos para fora, sapos indevidamente engolidos, e certamente que chocou fãs desavisados que ainda pensavam nele como o cara que escreveu “Eu quero pegar na sua mão”.

Definitivamente, os tempos ingênuos do Bubblegum de meio de década de sessenta, haviam ficado para trás, e naquele instante, era hora de dizer que não acreditava em ninguém, apenas nele, e em Yoko. “Imagine”, o álbum posterior, apesar do dedo pop de Phil Spector, não domou o poeta absorto em sua amargura inconformada. Apesar do libelo profundo de paz, digno do Ahimsa de um ativista do nível de Mahatma Gandhi, e expresso na música título do álbum, além de algumas docilidades por conta de declarações de amor aqui e acolá para Yoko, a aspereza permeou o grosso da obra, mas com uma beleza inacreditável, certamente.
Cada vez mais cônscio de que como artista adorado mundialmente, precisava usar sua fama para produzir  algo além da beleza plástica das canções, ou mesmo seu poder de usar as palavras para expressar metáforas a serem absorvidas por poucos mais antenados, foi muito mais direto no terceiro álbum de estúdio, dessa fase de sua carreira solo.

Em “Some Time in New York City”, lançado em 1972, Lennon botou para quebrar ao lado de sua esposa / musa, e deu vários socos no estômago do sistema. Se desde 1971 estava sendo perseguido por Nixon, e sua tropa de choque, praticamente ressuscitando os piores momentos do triste McCartismo cinquentista, Lennon chutou o pau da barraca, e nesse álbum, praticamente dedicou cada faixa à uma ferida aberta da América e com respingos no Reino Unido, sua pátria natal. Faixas como “John Sinclair”; “Angela”, “Attica State”, Sunday Bloody  Sunday”; “Born in a Prison”; “The Luck of the Irish”; Woman is the Nigger of the World”entre outras, eram arrasa-quarteirão por si só, mas reunidas num único álbum, faziam de “Some Time in New York City”, uma bomba atômica, uma verdadeira provocação ao sistema, e justo num momento de intensa perseguição que sofria.

“John Sinclair” era um poeta; ativista hippie, e empresário da banda de Rock de Detroit, MC5.
Perseguido pelo sistema, foi preso por doar dois cigarros de maconha para um agente do FBI infiltrado, ou seja, caíra numa armadilha.Tal prisão armada gerou revolta, e muitos artistas, intelectuais e militantes promoveram diversas manifestações em seu favor. Abbie Hoffman, o ativista político que junto a Jerry Rubin realizou várias reuniões com o casal Lennon & Yoko em 1971, para falar do caso da rebelião na penitenciária de Attica, e também do caso de John Sinclair, chegou a se atirar do palco de um show do The Who, para protestar contra a prisão de Sinclair. 

“Woman is the Nigger of the World” é uma faixa que ataca o sexismo, a discriminação da mulher na sociedade patriarcal e machista. A expressão que Lennon usou para dar nome à canção, foi duríssima, pois na América, principalmente, o termo “Nigger” é altamente ofensivo para tratar as pessoas negras, portanto, se a “mulher é o negro do mundo”, Lennon quis expressar duplamente a sua indignação com duas questões aviltantes na sociedade, ao mesmo tempo, ou seja, o sexismo, e o preconceito racial.

“Attica State” era outra ferida recente no sistema. Em setembro de 1971, os detentos da penitenciária de Attica, no norte do estado de Nova York, rebelaram-se contra os maus tratos, fazendo alguns agentes penitenciários como reféns. Ao contrário do que geralmente vemos em prisões de países de terceiro mundo, o sistema penitenciário americano é duro, mas jamais desumano. Portanto, se reivindicaram melhorias, era porque a coisa estava feia, mesmo. Após dois dias de impasse nas negociações, a polícia entrou com truculência, metralhando todo mundo, num dos maiores massacres já registrados na história americana, com quase 40 mortos e mais de cem feridos, fora os relatos de torturas ocorridas a posteriori, revivendo o nazismo em plenos anos setenta, e na terra da liberdade...
Existe um filme sobre esse episódio (“Attica”, lançado em 1980), que eu recomendo assistir. Os gritos de “Attica, Attica, é tudo ou nada”, ainda ecoam... 

“Angela”, é uma canção dedicada à Angela Davis, uma militante dos direitos civis, e membro dos Panteras Negras, um partido apócrifo e ativista negro, com simpatia aberta ao socialismo.
Envolvida indiretamente num caso onde uma tentativa de sequestro de um réu num tribunal, acabou em morte, sua suposta ligação com o crime dava-se pelo fato da arma usada pelo meliante estar registrada em seu nome. Perseguida pelo FBI pela militância política, só precisavam de um motivo para tirá-la de cena, e até explicar que “focinho de porco não é tomada”, ela estaria perdida.
Tentou fugir, mas após implacável perseguição policial, foi capturada e colocada em julgamento. A mídia deu ampla cobertura e por quase dezoito meses, finalmente sua inocência foi provada, e ela retomou a sua liberdade. Além de Lennon com sua canção “Angela”, os Rolling Stones também homenagearam-na com uma música, “Sweet Black Angel”(lançada no mesmo ano de 1972, no LP “Exile on Main Street”).

Em “Sunday Bloody Sunday”, e “The Luck of the Ireland”, Lennon  soltou farpas contra seus compatriotas.
A luta dos irlandeses do norte, de origem católica, contra os seus conterrâneos protestantes, não era por conta da diferença religiosa na interpretação do cristianismo, tão somente.
Simplesmente, os católicos tinham o anseio de separar-se do Reino Unido, tornando a Irlanda do Norte independente, assim como a Irlanda do Sul já havia conquistado tal primazia, e os protestantes, eram a favor da manutenção da anexação ao Reino Unido, com a Rainha da Inglaterra, e seu primeiro ministro dando as ordens.
Num protesto ocorrido em 1972, o exército britânico passou fogo na manifestação dos católicos, matando 13 pessoas, e tornando então, o famoso "domingo sangrento". Anos mais tarde, a banda irlandesa U2, faria uma outra canção com o mesmo título e temática. Yoko contribuiu com três canções ao álbum : “Sister o Sister” (tratando de feminismo); “Born in a Prison” (criticando o sistema educacional); e “We’re all Water”, uma rara canção não exatamente de protesto nesse disco.

Além dessas canções, o álbum teve o acréscimo de algumas músicas gravadas ao vivo, num show relâmpago do casal, realizado em Londres no ano de 1969 (acompanhados de Eric Clapton; Keith Moon e George Harrison entre outras feras); além de algumas gravadas também ao vivo no Fillmore West, em San Francisco, no ano de 1971, quando deram uma canja no show de Frank Zappa & The Mothers of Invention. E jam sessions completamente malucas ao estilo "Acid Tests" sessentistas.

Todas as músicas de estúdio, foram gravadas com o apoio instrumental da banda americana “Elephant’s Memory”, uma das mais loucas bandas psicodélicas dos anos sessenta.
Com esses adendos de material ao vivo, o álbum teve que ser relançado como um LP duplo. A capa do disco, traz uma colagem de fotos e manchetes no lay-out de um jornal. 
Aliás, numa das fotos, uma curiosa montagem ironiza a visita de Nixon à China, com as figuras de Nixon e Mao Tse Tung dançando nus, como autênticos hedonistas doidões, o que não deixa de ser engraçado. Ainda em 1972, Lennon & Yoko fizeram dois concertos no Madison Square Garden lotado, e que serviram para lançar o disco que tinha a cidade como título da obra.

Tais concertos foram filmados e gravados, e muitos anos depois, lançados como disco e documentário, sob o nome de : “Live in New York City”. É bacana porque tem a vibe do “Some Time in New York City”, inclusive com a banda de apoio ao vivo, sendo o Elephant’s Memory, aquele bando de freaks doidões. 
No álbum posterior, “Mind Games”, Lennon continuou batendo no sistema, contudo mais brandamente. Mais centrado nos jogos mentais, parecia estar menos ranzinza, e mais “cabeça” em 1973.
“Some Time in New York City” acabou sendo mesmo, o disco mais político de sua carreira solo.

Gosto bastante desse álbum, não só pelas posturas adotadas antistablishment, mas também pela musicalidade que é muito boa, até nas canções da Yoko que tendiam a serem fracas musicalmente falando, mas em se considerando os músicos que o casal arregimentou para a gravação, e o apoio de Phil Spector como produtor, tudo soa muito bem.

Ouvindo a faixa “New York City”, Lennon faz a pergunta que não quer calar, em castellaño : “Que pasa, New York, que pasa, New York” ?...

Ouço esse petardo em duas etapas, abaixo. 

Disco 1 : https://www.youtube.com/watch?v=zDPzYGEVmCA&list=PL1A31AF7941CBC9C6


Disco 2 :https://www.youtube.com/watch?v=OK8oR8N_Ozg

sábado, 17 de dezembro de 2016

Os Kurandeiros - 18/12/2016 - Domingo / 19 Hs. - Fofinho Rock Bar - Belenzinho - São Paulo /SP



Projeto Sunday Rock no Fofinho Rock Bar com Os Kurandeiros + Mr. Huddy
18 de Dezembro de 2016 - Domingo - 19:00 Horas

Fofinho Rock Bar
Avenida Celso Garcia, 2728
Belenzinho
Estação Belém do Metrô
São Paulo  -  SP

Lançamento Oficial do EP "Seja Feliz" !
Lançamento da nova caneca dos Kurandeiros !


Os Kurandeiros : 
Kim Kehl - Guitarra e Voz
Carlinhos Machado - Bateria e Voz
Luiz Domingues - Baixo

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Os Kurandeiros - 17/12/2016 - Sábado / 19 Hs. - Trend & Culture Fair - Brooklin - São Paulo / SP .



Trend & Culture Fair com as bandas Pompeia 72 & Os Kurandeiros !

Os Kurandeiros + Pompeia 72
17 de Dezembro de 2016 - Sábado - 19:00 Horas

Praça General Gentil Falcão (cruzamento das Avenidas Luis Carlos Berrini com Padre José Antonio dos Santos)
50 metros da Estação Berrini dos trens da CPTM
Brooklin
São Paulo - SP


Entrada Gratuita

Lançamento Oficial do EP "Seja Feliz" !
Lançamento da nova caneca dos Kurandeiros !


Os Kurandeiros : 
Kim Kehl - Guitarra e Voz
Carlinhos Machado - Bateria e Voz
Luiz Domingues - Baixo

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Os Kurandeiros - 16/12/2016 - Sexta-Feira - 20:00 Hs. - Magnólia Villa Bar - Lapa - São Paulo / SP



De volta ao Magnólia Villa Bar, após um longo hiato nessa histórica casa de espetáculos da Lapa, revivendo as noitadas de Rock’n Roll; Blues & Baladas !

Os Kurandeiros
16 de Dezembro de 2016 - Sexta-Feira - 20:00 Horas

Magnólia Villa Bar
Rua Marco Aurélio, 884
Lapa
São Paulo - SP


Lançamento Oficial do EP "Seja Feliz" !
Lançamento da nova caneca dos Kurandeiros !


Os Kurandeiros : 
Kim Kehl - Guitarra e Voz
Carlinhos Machado - Bateria e Voz
Luiz Domingues - Baixo


Participação Especial :
Alexandre Rioli - Teclados