domingo, 23 de abril de 2017

Os Kurandeiros - 28/4/2017 - Sexta-Feira - 20:30 Hs. - Magnólia Music Bar - Lapa - São Paulo / SP




Os Kurandeiros

Participação da nova banda do guitarrista Fulvio Siciliano, Chlube Som fazendo sua estreia oficial + Aniversário do tecladista Alexandre Rioli
                              
28 de abril de 2017
                                    
Sexta-Feira  -  20:30 Horas

Magnólia Music Villa Bar

Rua Marco Aurélio, 884

Lapa

São Paulo  -  SP

Os Kurandeiros

Kim Kehl - Guitarra e Voz
Carlinhos Machado - Bateria e Voz
Luiz Domingues – Baixo

sábado, 22 de abril de 2017

Os Kurandeiros - 23/4/2017 - Domingo / 19:30 Hs. - Fofinho Rock Bar - Belenzinho - São Paulo / SP


Os Kurandeiros

23 de abril de 2017 - Domingo - 19 Horas - Projeto Sunday Rock

Fofinho Rock Bar
Avenida Celso Garcia, 2728 - Belenzinho - Estação Belém do Metrô - São Paulo - SP

Os Kurandeiros :
Kim Kehl - Guitarra e Voz
Carlinhos Machado - Bateria e Voz
Luiz Domingues – Baixo

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Os Kurandeiros - 22/4/2017 - Sábado - 21 Hs. - Santa Sede Rock Bar - Tucuruvi - São Paulo / SP



Os Kurandeiros
                                      

22 de abril de 2017  -  Sábado  -  21 Horas


Santa Sede Rock Bar

Avenida Luiz Dumont Villares, 2104

Tucuruvi

Estação Parada Inglesa do Metrô

São Paulo  -  SP


Os Kurandeiros:
Kim Kehl - Guitarra e Voz
Carlinhos Machado - Bateria e Voz
Luiz Domingues – Baixo

sábado, 8 de abril de 2017

Que Seja Infinito Enquanto Vivo / Klatu - Por Luiz Domingues


O Klatu é uma banda de muitos predicados, isso é inegável. Já tive a oportunidade de elencar suas qualidades artísticas, em matéria escrita tempos atrás neste meu Blog 1, quando estabeleci uma resenha "mezzo" biográfica dessa banda, falando de seus discos até então lançados (“Em Busca do Rock Infinito”, de 2008 e “Um Pouco Mais Desse Infinito”, de 2013”), além de sua trajetória em torno desse conceito contínuo do mote sobre o “infinito”. Pois agora, 2017, o Klatu lança o terceiro álbum e fecha a sua trilogia temática, mostrando-nos “Que Seja Infinito Enquanto Vivo”. Antes de avançar na resenha cabe ressaltar que não trata-se de um álbum ao vivo, como talvez o leitor possa ser sugestionado a deduzir pelo seu título. É “vivo” no sentido do antônimo de “morto”, embora no âmago da obra, a ideia seja fazer a opção pelo meio termo entre as duas condições, falando do dito zumbi, o “morto-vivo”. Contudo, não em sentido fantasmagórico, evocando a literatura clássica do terror, mas usando e abusando da metáfora do zumbi no intuito de criticar os rumos atuais da sociedade moderna e suas múltiplas formas de condicionamento e manipulação da parte das ditas “forças ocultas”, que aliás, nem tão ocultas o são na atualidade.

Para início de conversa, o Klatu assume que esse seu terceiro disco é uma “Opera Rock”, fechada num tema único e com suas canções seguindo o libreto de uma história. Não é para qualquer um aventurar-se num conceito mais ambicioso desse porte, mas o Klatu amadureceu muito, e banca-se nessa ousada iniciativa, pelo que ouvi e li no decorrer do novo disco. E para provar o que digo, já menciono um dado criativo ao extremo em se considerando tratar-se de uma obra temática : apesar dessa estrutura, o Klatu quebra o protocolo e no libreto, não há personagens estabelecidos. Trata-se da história de um homem, e a pergunta é inevitável : que homem ? Pois é, uma espécie de “alma mater” onde cada ouvinte / leitor pode identificar-se a vontade e até vestir sua armadura ou carapuça, como queira. Essa representação da humanidade canta o que sente e vê, e nesse aspecto, o que enxerga é sombrio, falando de uma sociedade que oprime e esmaga as individualidades; desdenha dos sonhos, e oferta apenas o pesadelo como opção concreta. Para sair dessa, só morrendo ou tendo um absoluto lampejo de loucura e arrojo ao romper com tudo. O cerne da questão é esse, a extrema manipulação e entenda o óbvio, ou seja, a massificação bovina a serviço de uns poucos interessados em que a sociedade permaneça nesse estado de coisas. O clamor em si não é uma novidade, mas a maneira artística pela qual o Klatu expôs tal conceito, aí sim, é bastante criativo. Nada é mais significativo para ilustrar o filme de zumbis em que vivemos no cotidiano, do que verificarmos pessoas nas ruas, absortas pela ação hipnótica de seus “smartphones” e é por aí que o Klatu critica fortemente a ação dos marqueteiros; “formadores de opinião”, governos e mídia, e nessa lógica, parece que a internet, que na prática deveria ser livre, acaba por tornar-se mais uma arma de manipulação sórdida. A quem devo apoiar agora ? Vou bater minha panelinha na varanda gourmet do meu apartamento a favor de A ou B ? Tanto faz, pois você já "dançou" só por ter obedecido a ordem para ser um "percussionista útil", digamos assim...

            O núcleo ativo do Klatu : Leco Peres & Carol Arantes

Sobre a obra em si, o amadurecimento do Klatu também mostra-se concreto. O dois discos anteriores são ótimos, mas neste terceiro, é nítida a firmeza adquirida, com o benefício da experiência acumulada. Agora assumido como um duo, através do casal Leco Peres (baixo; voz e percussão), e Carol Arantes (voz e percussão), o Klatu recrutou músicos de apoio de alto nível e o resultado sonoro impressiona pela qualidade. Todas as faixas tem um apontamento sobre o desencadeamento da história contada, mas é muito sutil, a expressar um sentimento, tão somente. 

Na primeira faixa, o conceito do “espaço / tempo” , anuncia a canção denominada “Sobrevivendo”. Tema instrumental e curto, tem a função clara de ser uma “Overture”, típico recurso da tradição das óperas convencionais, e também usado em diversas “Óperas-Rock” famosas nos anos 1960 / 1970 (“Tommy”; “Quadrophenia”; “Victoria”; “Jesus Christ Superstar” etc). Com uma intervenção forte de bateria em ritmo tribal e teclados com timbres modernos, lembra algo Techno com remota raiz no “Krautrock” dos anos setenta. A destacar-se, um riff forte de orientação Hard Rock e um solo de guitarra sucinto, mas de arrepiar.
“A ameaça” claramente denota o personagem em momento de alerta ao deparar-se com a realidade perigosa em que cerca-se. A canção chama-se “Terra de Zumbi” e claro, a alusão dá-se pelos milhões de seres controlados pelas corporações que norteiam a sociedade massacrante e trata-nos como meros códigos de barras ambulantes e “consumidores” de alguma coisa, para o benefício deles, exclusivamente. Com clima de balada, lembra o Pink Floyd em alguns aspectos. Gosto das delicadas tessituras harmônicas realizadas pelas guitarras e com detalhes bem bacanas, entre os quais o uso de caixa Leslie, sempre agradabilíssima. Gostei muito de um riff mais pesado, lembrando bastante a maneira pela qual o Jethro Tull expressava volúpia ao passar da docilidade Folk para o Hard Rock. Acho que o Klatu acertou nessa transição também. 
Na letra, Carol escreveu versos fortes. Destaco : -“Marionetes, manipulados, sorrisos falsos, desesperados, morrendo todos os dias sem perceber”...    

Chega a terceira canção e o momento da história é o da “epifania”. Hora de sonhar livremente e assim, a canção “Livre Sonho Deszumbizante” é quase uma súplica, de quem tomou consciência do massacre externo e clama por liberdade. Impossível não notar que exista uma intenção em estabelecer um acróstico nesse título e isso remete aos anos sessenta em múltiplos exemplos (“Lucy in the Sky With Diamonds”; “Lindo Sonho Delirante” etc), portanto, drogas a parte, saudade do tempo em que muita gente mostrava-se interessada em empreender esforços em prol do dito “Open Mind / Mind Expansion” e no caso, o personagem tem essa epifania atualmente, ou seja numa época muitíssimo mais hostil e fechada para tais ideais. A canção é boa, tem um swing meio “sixties” no formato da sua parte A, embora predominem timbres modernos e não haja a preocupação de soar “retrô” deliberadamente. O final da música tem uma clara influência do Rock Progressivo setentista, e ouso dizer, reveste-se de uma aura do Gentle Giant. Ao cantar : -“Esse sonho é um pouco mais que real, e o caminho é interdimensional, retomar aquele velho ideal, do acorde gravitacional”, traduz bem a epifania proposta.

Na quarta faixa, uma crítica interessante. Sabe aquele sujeito bem intencionado, mas que no fundo está tão equivocado quanto o ardiloso que sabe o que está fazendo ? Pois é, tem muita gente nessa condição, nadando a favor da maré imposta, todavia, achando que tem senso crítico e consciência; independência de ideias etc e tal, mas na verdade está na vala comum dos manipuláveis, aquele tipo de ser humano “bonzinho” que vai às ruas para clamar pela moralidade na política, mas usando uma camiseta com o distintivo de uma das instituições mais corruptas do planeta, porém, lógico, é um inocente e nem sabe disso na prática... na letra, isso é explícito : -“e de repente eu me deparo, um coletivo muito legal, parecem certos, inteligentes, são os melhores para nos salvar”... 

Nessa canção, chamada “Volta à Terceira Dimensão”, a ideia lançada é a do “conflito”, ou seja, o choque do personagem após a epifania da faixa anterior, ao deparar-se com a dura realidade telúrica. Mais uma vez senti influência forte do Krautrock setentista logo no início, e doses maciças de Rock Progressivo, novamente evocando o Gentle Giant e o Jethro Tull. São partes mais pesadas, com um pé no Hard Rock. Parecem aqueles interlúdios mais vigorosos dentro de obras como “Three Friends” e “Thick as a Brick”. E tem também uma menção ao Jazz, com o baixo fazendo um andante clássico do gênero ao seu final.

“A coligação” é o clima da quinta faixa, denominada “Zumbis do Bem”. Sim, existem os que tentam debelar-se, porém inevitavelmente fecham-se em “clubinhos” iniciáticos; exclusivos etc etc. Na prática, pensam estar ajudando, mas com esse tipo de mentalidade, mais são desagregadores. Uma pena. Na sonoridade, essa canção remeteu-me ao som dos artistas da chamada “Vanguarda Paulista” do início dos anos 1980. Com brasilidade e atitudes jazzísticas proeminentes, a canção traz harmonia com dissonâncias e quebradeira rítmica generalizada, lembrando o som de Itamar Assumpção & Isca de Polícia; Arrigo Barnabé e sobretudo o Grupo Rumo, ainda mais em associando-se a voz de Carol Arantes com Ná Ozetti; Suzana Sales e / ou Vânia Bastos. 

O momento é de “reação” e a canção “Antes Só”, mostra a tomada de consciência do personagem, levando-o a fazer crer que o negócio é contar com suas próprias forças. Dura realidade, eu sei, mas se chegamos nesse ponto, o negócio é lembrar do Paulo Vanzolini, isto é : não chore, mas levante; sacuda a poeira, e dê a volta por cima... 
Mais uma vez o Klatu recorre à um riff com ritmo todo quebrado, mostrando sofisticação na composição e uma parte mais pesada que lembrou-me o Bachman Turner Overdrive, porque traz o elemento Pop também, marca registrada daquela boa banda canadense.

O personagem, através da voz de Carol Arantes dá o recado quando diz : -“ prefiro seguir sozinho do que não me mover”. Muito bom, apesar dos pesares, ainda tem um pingo de humanidade dentro desse combalido zumbi pós moderno.

“O vislumbre” é o sentimento e o nome da canção, “Hora de Acordar”. Aqui, o recado é instrumental e trata-se de um tema versado pelo Jazz-Rock setentista, bem naquela ideia da pegada Rocker x swing da Black Music. Parece música de um disco qualquer do “Return to Forever”, impressiona pela técnica e balanço. 

Hora de dar nome aos bois, o grande “Leviatã Pererê” é a canção sob a égide da “repressão”.  -“Perseguir sonhos é um desacato a quem quer poder”, diz um verso da letra. Isso mesmo, quem ousa não seguir o padrão imposto, incomoda o sistema. Nessa canção, os ecos de uma MPB hippie dos anos setenta são nítidos. A psicodelia nordestina é representada fortemente e tem um sabor poético dos Secos & Molhados também. Aquele tempo bom onde ligava-se o rádio e havia boa música tocando regularmente...

Um libelo é dado através de “Acorde aos Vivos” e no libreto é a hora da “esperança”. Ufa, então nem tudo está perdido ? O pesadelo da ultra manipulação ainda dá brecha para ser revertido ? Não vivemos integralmente o Big Brother de George Orwell, mas ainda dá tempo de expurgar o BBB da mediocridade televisiva ? Que alívio ! O som é dos mais agradáveis nessa canção, lembrando o Rock’n Roll cockney e cru do Slade, direto e reto no começo da canção. Depois tem interlúdios que lembram o Tutti Frutti dos bons tempos e tal reminiscência boa reforça-se quando ouve-se os backing vocals cheios de “uh uhs” afinados e doces, remetendo aos gêmeos vocalistas, Rubens & Beto Nardo. E por fim, uma dose de sofisticação ao mostrar um looping rumando ao “infinito”, bem ao estilo do Gentle Giant. É belo e grandioso.

           Carol Arantes & Leco Peres em click de Andreia Justino

Chegamos ao final da obra e uma surpresa dupla : não tem final feliz, mas espaço aberto para o ouvinte fazer sua análise pessoal a vontade, com o tema “lugar-comum”. O Klatu deixa o recado para que você analise e chegue à sua própria conclusão. O que fazer da sua vida depois de tomar conhecimento dos fatos expostos ? Vai deixar-se levar em ser um zumbi sem face na multidão, ou vai “deszumbizar” ? E a segunda surpresa da canção que chama-se “Vida Modesta e Fecunda’, é que trata-se de um tema instrumental, com característica acústica, usando apenas violão; percussão leve e ruídos silvestres ocasionais. E a voz, apenas onomatopaica, entoa um vocalise numa canção sem letra, apenas transmitindo sentimento, sem mensagens explícitas.


A concepção geral, produção artística e material, ficou a cargo do casal que comanda o Klatu, Leco Peres e Carol Arantes. A produção musical de estúdio sob a supervisão de Daniel Iasbeck. Gravado no estúdio Lab Mancini entre o final de 2014 e 2016, de São Paulo. Canções de Leco Peres (tem uma em parceria com Daniel Iasbeck), e letras de Carol Arantes. Técnico de gravação; mixagem e masterização : Raphael Mancini. Diagramação do encarte : Leandro TG Mendes.

A capa merece uma citação a parte, obra de Adriano Ticiano (criação e lay-out final), mostra uma espécie de robot enferrujado em meio à uma paisagem ultra urbana, deveras rude, e no uso de seu indefectível telefone celular, a grande coleira a favor dos que abduzem-nos. Abertamente inspirado nas obras de Tarsila do Amaral , “Abaporu” (1928) e “Os Operários” (1933), além do britânico Derek Riggs, trata-se de uma bela ilustração e que chama a atenção, sem dúvida. É soturna, mas é perfeita para ilustrar o tema proposto pela banda nesse álbum.  
Ouça acima a faixa de abertura do álbum, "Sobrevivendo"

Eis o Link para escutar no You Tube ;
https://www.youtube.com/watch?v=cIprh8NcahI
Acima, um "teaser" anunciando o lançamento do álbum do Klatu, "Que Seja Infinito Enquanto Vivo"

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=rFiu1fppJHw


Leco Peres mostrou linhas ousadas e com belos timbres de baixo. Carol Arantes na voz e na criação das letras, mostrando muita contundência e crítica ácida, porém bem embasada e firme em suas convicções. Apoiando o Klatu, Daniel Iasbeck além da produção musical, tocou todas as guitarras, violões e teclados. Sua atuação é brilhante, mostrando virtuosismo e muita criatividade nos instrumentos que tocou, além de colaborar também com vocais. Sérgio Marchezoni tocou uma bateria muito precisa em todas as faixas (exceto na última, acústica) e demonstrou muita técnica.

No áudio, o disco mostra-se bem moderno, pela pressão sonora, uso de recursos tecnológicos atuais e timbres.

No cômputo geral, “Que Seja Infinito Enquanto Vivo”, revela-se uma obra coerente com sua proposta; forte enquanto manifesto de uma causa, e muito rica musicalmente, com diversas nuances admiráveis. A banda disponibiliza as suas páginas no Facebook e You Tube, para o leitor obter informações gerais e links para ouvir o trabalho gratuitamente em plataformas musicais como o Spotify, por exemplo.


No Facebook :



No You Tube :
https://www.youtube.com/bandaklatu

Os Kurandeiros - 8/4/2017 - Sábado / 21 Hs. - Season One Arts & Bar - Vila Madalena - São Paulo / SP



Os Kurandeiros


8 de abril de 2017


Sábado  -  21 Horas


Season One Arts & Bar


Rua Mourato Coelho, 575

Vila Madalena
Estação Fradique Coutinho do Metrô

São Paulo  -  SP

Os Kurandeiros :
Kim Kehl - Guitarra e Voz
Carlinhos Machado - Bateria e Voz
Luiz Domingues – Baixo